A Luta Contra as Privatizações e os Sindicatos Amarelos

O que são sindicatos amarelos?

O termo apareceu no século XIX, fazendo referência à fama de fura-greves que os orientais tinham na França, descrevendo, portanto, sindicatos que traíam os interesses do proletariado, agindo apenas em interesse próprio ou mesmo em coalizão com a patronal.

O Brasil de hoje está cheio deles.

Sindicatos centrados em si mesmos, com dedos, mãos e braços inteiros da patronal na direção, sempre negligenciando, por conseguinte, o interesse dos sindicalizados.

Em grande parte, atualmente, o sindicalismo amarelo é o principal responsável pela inércia da parte mais tradicionalmente combativa da classe trabalhadora, frente aos ataques de Bolsonaro e cia. às conquistas do povo.

A questão que irresistivelmente aparece é: como solucionar isto? Como derrubar o sindicalismo amarelo?

A primeira resposta é nem tentar. É natural, e até surge de boa vontade, visto que a mesma tática é aplicável (em determinados momentos) a outras instâncias de representação e luta legal, portanto, a conclusão natural: abandonemos e façamos novos sindicatos! Partamos logo para os comitês de local de trabalho!

Lênin, veementemente, discordaria dessa posição:

A conquista do poder político pelo proletariado representa um progresso gigantesco deste, considerado como classe, e o Partido deve consagrar-se mais, de modo novo e não apenas pelos processos antigos, a educar os sindicatos, a dirigi-los, sem esquecer também que estes são e serão durante muito tempo uma necessária “escola de comunismo”, uma escola preparatória dos proletários para a realização de sua ditadura, a associação indispensável dos operários para a passagem gradual da direção de toda a economia do país às mãos da classe operária (e não de umas e outras profissões), primeiro, e depois, às mãos de todos os trabalhadores.

No entanto, a questão vai além da edificação da ditadura do proletariado, como também passa pela questão de ter em mãos conscientes um enorme instrumento de união e luta organizada, capaz de paralisar todo um segmento de produção, ou mobilizar centenas de milhares em demonstrações e ação direta.

Entretanto, este argumento pode não ser suficiente.
Suponhamos que, em concordância com o aqui exposto, qualquer democrata e marxista consciente simplesmente ache inviável conseguir influencia ou mesmo a direção dos grandes sindicatos (hoje amarelos) e decida, a partir do próprio, de um novo sindicato, cumprir estas tarefas de luta, agitação, propaganda e mobilização.

Este pensamento, novamente bem intencionado, simplesmente nega o desenvolvimento orgânico de uma arma de luta da classe operária, dificultando o caminho e inventando a roda na era dos automóveis.

É preciso ter em mente que luta contra o sindicalismo amarelo, ainda que frustrada, levará os trabalhadores à clara distinção entre os revolucionários e os reformistas, revisionistas e traidores. Então, no momento certo, quando as classes dominantes não mais poderem dominar e as dominadas não mais aceitarem a exploração, esta distinção terá vital importância.

Este escrito, sobretudo, é um convite à luta pelos sindicatos e pelas organizações de massa dos trabalhadores, hoje, cooptadas e aparelhadas até as entranhas pelos oportunistas, reformistas e revisionistas.

Não desistamos!
A luta só começou e tomar parte nela passa por expulsar o sindicalismo amarelo, a inércia, o espírito gremial e de rotina.