A Significação Histórica da Revolução Chinesa

Para clarear as coisas desde o início, a China moderna é um baluarte do imperialismo e do capitalismo em sua forma selvagem.
No entanto, passou por uma Revolução de Nova Democracia e, ali, posteriormente, foi testemunhada a mais avançada experiência socialista moderna.

Nesse texto, debateremos a significância deste evento para o proletariado de todo o mundo, expondo os elementos fundamentais da Revolução Chinesa, bem como os aportes fundamentais do camarada Mao Tsé-Tung ao marxismo-leninismo. Aportes estes que, ulteriormente, foram sistematizados, fundando o marxismo-leninismo-maoismo, o marxismo do nosso tempo.

A China herdava a herança de um Império feudal, submetido, logo em meados do século XIX, pelas potências imperialistas.

A introdução da maquinaria e de parte (“parte”, pois a essência do imperialismo é, também, impedir o desenvolvimento autônomo de suas colônias e semicolônias) dos métodos modernos de produção, criou um pequeno, porém combativo, proletariado.

Os progressistas e democratas chineses tatearam no escuro por longos anos, propondo uma República Democrática burguesa e medidas que manifestavam o interesse pela autonomia da Média Burguesia local, oprimida pelo imperialismo e os grandes capitalistas, para emancipar a China.

Entretanto, somente quando o marxismo-leninismo e a Revolução de Outubro iluminaram a realidade chinesa, foi possível enxergar com clareza a realidade concreta.

O Partido Comunista, primeiro, parte para uma luta condizente com a realidade dos países democrático-burgueses. Contudo, logo Mao Tsé-Tung nota que tais táticas e estratégias são incompatíveis com a realidade de uma semicolônia e com semifeudalidade no campo:

Na China, o caso é diferente. O particularismo da China está em que esta não é independente nem democrática, mas semi-colonial e semi-feudal, vivendo internamente sem democracia, submetida a opressão feudal e não gozando, nas suas relações externas, duma independência nacional, mas antes vivendo oprimida pelo imperialismo. Essa a razão por que não há na China Parlamento que possa ser utilizado, nem lei que reconheça aos operários o direito a greve. Em consequência, aqui, a tarefa fundamental do Partido Comunista não é a de passar por um longo período de lutas legais antes de desencadear a insurreição e a guerra, nem a de ocupar primeiro as cidades e depois o campo, mas sim proceder da maneira inversa.

Deste ponto em diante, a Revolução Chinesa amargou longas lutas, que exigiram firmeza, clareza e heroicidade ímpar. Primeiro, foi desencadeada a Revolução Agrária, contra os latifundiários e os Senhores da Guerra locais. Depois, à invasão fascista japonesa, foi formada a Frente Única com o Kuomitang e, então, a luta foi travada posteriormente com o próprio Kuomitang, tendo este processo sido desencadeado após a Longa Marcha.

Todo este processo foi, por conseguinte, uma Guerra Prolongada. Mas esta Guerra era apoiada pelas massas populares, em particular as componentes da Aliança Operário-Camponesa.

Logo, foi uma Guerra Popular Prolongada.

Toda a Revolução Chinesa, todavia, não acontecia alheia à realidade mundial. Quando o processo foi finalmente exitoso, Mao Tsé-Tung logo adentrou o “Grande Debate”, em que encabeçava a frente internacional contra o revisionismo de Kruschev e consortes.

Ao longo de toda esta gloriosa história, o movimento comunista internacional testemunhou inúmeros aportes de Mao Tsé-Tung à luta contra o imperialismo, além da formulação de um projeto de Estado condizente com a necessidade das colônias e semicolônias de desenvolver as condições materiais necessárias para o socialismo.

Mais adiante, apontou também a existência da luta de classes sob o socialismo, sendo o próprio Mao Tsé-Tung integrante de tal luta na China Vermelha. Como resposta a este processo, lançou a Grande Revolução Cultural Proletária, uma crítica prática ao butocratismo e à separação dualista de Partido e Massa, Dirigente e Povo. Não que a existência de dirigentes seja essencialmente ruim, porém, mandando o recado de que deve ser sempre apoiada nas massas.

Os aportes de Mao Tsé-Tung, com o tempo, foram sistematizados. Primeiro, em Pensamento Mao Tsé-Tung, depois, em marxismo-leninismo-maoismo, por Abimael Guzman, líder dos revolucionários comunistas peruanos.

Entre outras coisas, o maoismo universaliza a estratégia da Guerra Popular, não do modo por aí vulgarizado de “cercar as cidades a partir do campo”, todavia, avaliando e investigando as condições concretas, com a finalidade de criar Bases de Apoio em zonas de menor repressão do Estado burguês (nos países coloniais e semicoloniais, naturalmente, tal é normalmente em zonas afastadas e rurais).

Além disso, Guzman também aponta a necessidade de construir as “três varinhas mágicas”: o Partido, o Exército e a Frente Única. Esta última, em países atrasados, constitui a base do Novo Poder de Nova Democracia, já nas potências imperialistas, a pedra angular da Aliança com elementos progressistas das pequena-burguesia.

Destacamos, por último, o entendimento maoísta do papel ativo da superestrutura política na infraestrutura econômica, devendo isto ser apreendido e refinado, para que novas Revoluções Culturais impeçam a restauração capitalista países revolucionados.

As conquista da Revolução Chinesa, liderada por Mao Tsé-Tung, foram jogadas ao chão pela ascensão do bando revisionista encabeçado por Deng Xiaoping.

Contudo, os aportes ao marxismo do presidente Mao Tsé-Tung permanecem vivos, assim como os processos revolucionários liderados pelos maoistas ao redor do mundo (indianos, peruanos, filipinos, turcos, etc.). Portanto, apesar dos apesares, a Revolução Chinesa ainda ilumina o proletariado de todo o mundo, conclamando os povos de todo o mundo à destruir o imperialismo, o capitalismo e edificar uma nova sociedade, livre da dominação de uma classe sobre outra.