Entregadores: Organizem-se e Lutem!

No momento atual, no Brasil, falam de todo o lado da tal “uberização do trabalho”.
Neste rótulo, são colocados motoristas de aplicativo(s), entregadores, etc.

No entanto, esta não é uma definição precisa.

O que acontece no Brasil, e em muitas partes do terceiro mundo hoje em dia, é a brutal desvalorização da mão de obra.

A razão disso existir é simples: as contas que o imperialismo tem para pagar.

Desde 2008, a grande crise cobrou dos Estados imperialistas gordos incentivos aos gigantes monopolistas; simultaneamente, o mundo testemunhou o ascenso das chamadas commoditties (dada a entrada esmagadora de capital chinês nos países exportadores), coisa que provocou uma temporária e ilusória “ausência de crise” em países agrários e exportadores.

Todavia, o capitalismo anda em círculos de subidas e quedas, estas últimas sempre muito maiores que as primeiras.

Assim, eventualmente, as contas da crise imperialista tinham que ser pagas. Porém, nem um centavo devia escorrer das próprias potências parasitas.

Não por acaso, por conseguinte, testemunhamos a imposição de uma agenda que, cada vez mais, busca o retrocesso nas conquistas sociais e humanitárias, além de desvalorizar (mais e mais) a mão de obra, o salário e o poder de compra dos trabalhadores, enquanto isso, estas agendas reacionárias de Bolsonaros e Macris, por coincidência, estimula(va)m entrada de capital estrangeiro e o entreguismo.

As agendas, dos asseclas citados, que vendem a si mesmos como “austeros para conter a crise”, tiveram um sucesso titânico nas terras latino americanas. No Brasil, mesmo a petista Dilma Roussef adotou a “austeridade”; bem como, é claro, seus sucessores.
No Equador e na Argentina, já é falado em recessão, moratória e outros tantos males.

Um período de bonança econômica, dado por uma excepcionalidade do crescimento econômico chinês teve, como tudo, seu começo, meio e fim. Desta forma, com o tempo, a conta imperialista chegou.

A queda do crescimento chinês, além do mesmo fenômeno nos EUA e a guerra comercial entre ambos tornou todo o cenário, como sempre, pouco favorável aos lacaios do imperialismo.

Em breve resumo: o crescimento chinês que, antes, foi um balde de água num sujeito que andava em meio a um incêndio apagou e, então, este sujeito notou a situação em que estava.

Neste cenário, não é tentado qualquer projeto de nação e autonomia no terceiro mundo, visto que isto romperia o status quo dos principais aliados de sempre dos imperialistas: os latifundiários e a burguesia burocrática.

Logo, a ideia é subtrair do povo cada vez mais, cada centavo, com o fim de tirar de leite de pedra. Literalmente, se possível, jogando cada um em um verdadeiro inferno que por pouquíssimas razões pode ser diferenciada da abolida escravidão.

A nossa moderna escravidão, entretanto, mal é a escravidão assalariada. É a escravidão paga em espécie, que convence seus escravos de que são, na verdade, futuros donos de escravos (empreendedores!).

É desesperador.

Em qualquer grande cidade do Brasil, é notável o número absurdo desses homens e mulheres que, sem nenhuma opção, arriscam tudo durante uma jornada mal remunerada, cheia de insegurança e incertezas, enquanto encaram cansados o celular.

Mas há uma saída.

A organização conjunta e disciplinada destes trabalhadores, assim como de quaisquer outros, é a base da edificação de uma força invencível que somente estes mesmos trabalhadores possuem: parar a produção de dinheiro que enriquece os donos das modernas é móveis feitorias sobre rodas.

Entretanto, esta luta não deve ser apenas por melhores remunerações, este ou aquele direito, mas contra a raiz do problema, que, conforme descrevemos, é a atuação do imperialismo e das classes que, dentro de nosso país, sustentam a dominação estrangeira em benefício do próprio poder e dinheiro.

Por tudo até aqui dito, gritamos a plenos pulmões: trabalhadores de aplicativos, recusem esta escravidão!
Organizem-se e lutem!
A luta de vocês é, também, a luta dos trabalhadores de todo o país!