Lula e o Pacifismo: As Armas do Imperialismo

Há quase uma semana, quando a ideia desse texto surgiu, foi noticiado que Lula, o ex-presidente preso, receberia a cidadania francesa.

Vejamos como a prefeitura de Paris, segundo a IstoÉ, se pronunciou:

“Esse compromisso “permitiu que quase 30 milhões de brasileiros escapassem da pobreza extrema e acessassem direitos e serviços essenciais”, afirmou a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em comunicado, após uma votação favorável dos representantes do conselho da cidade. Na nota, a política francesa ressalta que esses são “valores guardados pela cidade de Paris e que colocaram o político em perigo pelo seu engajamento”. “Lula é conhecido por sua política proativa de combater a discriminação racial particularmente acentuada no Brasil”, acrescenta o texto, ressaltando que através da figura do ex-presidente, “todos os defensores da democracia no país são atacados”.”

Agora, às vésperas de ser anunciado o ganhador do prêmio Nobel da Paz – prêmio historicamente usado pelo imperialismo ianque e potências européias, é noticiado que um favorito a vencedor é o ex-presidente Lula. Isso não é por acaso. Nunca até os dias de hoje, nenhum líder realmente revolucionário – isto é, que lute pela libertação de seu povo contra o imperialismo e contra o capitalismo, recebeu essa “honraria”.

Lula representa a alternativa pacífica, extremamente nociva ao movimento revolucionário dos trabalhadores, aparelhadora de sindicatos, aliciadora da juventude para a linha oportunista, que pode tocar o projeto de submissão econômica e política do Brasil ao imperialismo liderado pelos Estados Unidos.

Pacifismo, a arma ideológica do imperialismo

O imperialismo precisa dar uma sensação de alternativa na democracia burguesa. Se surge uma onda de ‘populismo de direita’ (como Trump, Marine Le Pen, Bolsonaro, etc.) isso é bom para os capitalistas. Assim, as “alternativas” representadas pelo progressismo de “esquerda” (Macron [França], Lenin Moreno [Equador], Obrador [México], Mujica [Uruguai], Trudeau [Canadá], etc.), podem ser apresentar como salvadores.

Vimos nas últimas eleições na França, Marine Le Pen como representante desse “populismo de direita” e Macron ganhando com o discurso oposto (o mesmo que Hillary Clinton tentou emplacar nos EUA).

A dinâmica se repete no Brasil, mas aqui um ganhou a disputa na farsa eleitoral e o outro foi preso – coisas de uma “democracia que ainda é criança” – ou um regime de capitalismo semicolonial onde nunca haverá “democracia” aos moldes europeus e norte-americanos.

Não por acaso – que agora só é mais conhecido pela tática dos fakenews da direita – o tal bilionário Georges Soros, esse Steve Bannon versão ‘light’ (assessor da campanha de Trump e da família Bolsonaro), que financia inúmeros políticos de ‘esquerda’, inclusive no Brasil.

Isso não é um projeto para bilionários “implantarem o comunismo pelo mundo”, como os oportunistas da direita dizem para o seu eleitorado. É a velha técnica do imperialismo de oferecer alternativas e ganhar em mais de uma situação.

Ainda sobre a cidadania francesa, outras personalidades já receberam com o mesmo critério, como Mandela e Raoni – liderança indígena pacífica. Todas têm em comum uma das últimas armas ideológicas do imperialismo: promover os líderes da ‘resistência não violenta’.

Tanto como foi elevado à categoria de líder mundial da paz o Dalai Lama, monge tibetano – líder de uma teocracia feudal e cruel no Tibet, assim foi Gandhi, um canalha oportunista, que, enquanto se dizia líder do pacifismo, recrutava indianos para lutar na carnificina da Primeira Guerra Mundial pelo Império Britânico, chamava os que se recusavam de emasculados e conclamava as mesmas ideias racistas dignas do posterior nazi-fascismo, de que a Índia era o “povo escolhido”, único, que poderia exercer o princípio da não-violência.

As massas trabalhadoras seguirão resistindo heroicamente

Na atual situação política do Brasil. O povo se levanta em revolta e protestos por todo o país contra o governo do fascista Jair Bolsonaro. Enquanto este agora age como Trump e tenta fazer um tom ‘mais moderado’ em vez de discursos violentos (sem, no entanto, deixar de lado sua ideologia militarista e reacionária, apoiada pelos grupos em seu entorno), o imperialismo também se preocupa com o surgimento de uma situação em que o povo responda com a mesma agressão que as forças de repressão já o fazem desde o “fim” da ditadura militar – e agora de forma mais escancarada, como fazem as massas nos últimos dias no Equador.

O povo brasileiro, as massas trabalhadoras de todo país e os setores progressistas da sociedade não se deixarão enganar com esse canto da sereia do imperialismo. As massas continuarão, cada vez mais apoiadas pelos democratas e progressistas de sua classe, resistindo energicamente contra a repressão e violência do Estado latifundiário e semicolonial brasileiro, levantando a bandeira vermelha de libertação do povo e do marxismo, sua ideologia revolucionária.

Cabe aos companheiros conscientes da necessidade de marchar ao lado das massas trabalhadoras em sua luta incessante, levantar a bandeira do Marxismo e queimar a bandeira branca suja de sangue do pacifismo, levantada pelo imperialismo, levando essa mensagem a todos os locais onde seja possível – escolas, faculdades, trabalho, bairros, etc.

Avante, companheiros!