O Cretinismo Eleitoreiro, ou “Melhor Votar que Deixar a Direita Ganhar”

«Só os canalhas e os tolos podem acreditar que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria nas votações realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e que só depois deve conquistar o Poder. Isto é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o velho regime, sob o velho Poder» – Lenin

É claro como a luz do dia: os partidos (autoproclamados) de esquerda, até ditos “comunistas”, que sempre ostentaram e ostentam uma série de jargões “radicais” e “revolucionários”, agora, aproximando-se as eleições no Brasil em 2018, mudaram o tom e partiram para as mais escusas justificativas e defesas às mesmas eleições.

Não é oportuno discorrer aqui sobre Lula ou outros secretários da elite brasileira, tampouco falar sobre o suposto “Golpe” sofrido por Dilma Rousseff.
Falaremos somente sobre a cretinice que é adotar a tática eleitoreira no Brasil neste momento.

Se perguntarmos para qualquer pretenso marxista sobre o motivo de investir tempo e esforço convencendo o povo às eleições, ouviremos uma série de respostas padronizadas, frutos débeis de imitação e repetição da alta casta oportunista de direita que bombardeia a juventude honesta e disposta com a completa perda de tempo que é a tática eleitoreira no atual contexto histórico.

As respostas padronizadas variam de citações pretensiosas de Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, até citações dos programas “revolucionários” dos eleitoreiros de “esquerda”. Além disso, o roteiro também inclui questionamentos como: “e é preferível deixar que direita ganhe?”; variáveis do tipo: “é preciso construir espaços de diálogo com os trabalhadores”, “como educaremos as massas sem participar das eleições?”, etc., também são notáveis.

Vamos, aqui, fazer um breve esforço para rebater cada um desses equívocos, consecutivamente. Ao fim, justificando a consigna mais acertada para o momento: Não VotarLutar!

Quem afirma ter lido Lenin, usando-o para justificar a tática eleitoreira na atualidade, deveria saber que o revolucionário russo, como qualquer marxista honesto, jamais defenderia tal coisa como inalienável. Também saberia que o marxismo não é um dogma, e sim um guia para a ação. Logo, sem adaptar as táticas e estratégias gerais às condições objetivas da realidade presente, só podem existir lugares-comuns e besteiras tomadas como “programas” e “verdades eternas”.

Também é notável que na obra Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, Lenin, em momento algum, fala que participar das eleições burguesas é compatível com fazer conchavos com a classe dominante, ou apoiar o “menos pior”. Muito pelo contrário, baseando-se na experiência bolchevique, Lenin ensina sobre a necessidade de combinar o trabalho legal com o ilegal (precisamente criticando os “esquerdistas” que, por negligenciarem o primeiro, acabavam por ficar afastados das massas populares)e, se tal for feito no cenário parlamentar, isto deverá significar que o parlamento seja usado como tribuna revolucionária de denúncias ao regime burguês.
Em poucas palavras: nada, na obra, justifica acordões com os partidos burgueses; tampouco o apoio lamentável às frações do Partido Único da burguesia.

Porém, reafirmando que o marxismo não é um dogma, e sim um guia para a ação, a experiência histórica da luta dos povos latino-americanos deixa claro que a tática eleitoral, há muito, prescreveu. As revoluções ocorridas e em curso nesta parte do globo não foram feitas pelas urnas; na contrapartida, figuras como Allende pagaram caro por subestimar o papel da violência revolucionária e adotar o reboquismo à burguesia, a imobilidade e o pacifismo.

Em outras palavras: o desenvolvimento do imperialismo moderno, no Brasil e na América Latina, deixa claro que a participação dos marxistas nos palanques eleitoreiros é meramente um forma de identificar, capturar e até cooptar indivíduos que poderiam ser honestos revolucionários.

Para encerrar esta etapa, visando enterrar de vez o mau uso de Lenin, citamos o próprio em seu O Estado e a Revolução:

«(…) a necessidade de educar sistematicamente as massas e precisamente nesta ideia sobre a revolução violenta, está na base de toda a doutrina de Marx e Engels».

Já está esclarecido que negligenciar o papel da violência popular como parteira de novas sociedades é algo anti-marxista. Todavia, certos partidos vendem a ideia de que há a possibilidade de encaixar um programa revolucionário no jogo burguês. Se esperam ou não repressão, é um mistério, mas, ainda assim, lá estão em letras garrafais citações de Marx e Engels, promessa da socialização dos meios de produção, estatizações massivas, etc.

Em resumo: acreditam na via parlamentar como um caminho para o socialismo. Ou seja: acreditam na via de Kruschov.

Estes revisionistas, admitindo ou não, acabam por renunciar a ditadura do proletariado e o socialismo. Na experiência prática de luta dos povos e dos Partidos Comunistas revolucionários, ficou provado que somente força material depõe força material. Negar é isso, é adotar um pensamento estranho ao marxismo, e não entender que o jogo político burguês é um jogo de cartas marcadas; no nosso país, cartas marcadas pelo imperialismo e pelo latifúndio. Assim, quando tal ou tal bem-intencionado não corresponder aos anseios dos patrões da casta política, serão chutados como secretários ineficazes.

Mao TseTung, sobre isso, em sua Carta Chinesa, alerta:

«(…) se um partido marxista-leninista incorre em cretinismo parlamentar ou legalismo, limitando sua luta ao marco permitido pela burguesia, desembocará inevitavelmente na renúncia à revolução proletária e à ditadura do proletariado»

Chegamos, então, na pergunta que move os mais ingênuos: é preferível deixar que a direita ganhe?
Ora, não sabemos identificar onde, qualitativamente, o PT é diferente de siglas como PSDB, DEM, PMDB, e outros. A sistemática opressão das periferias, a perseguição aos camponeses, os lucros aos grandes banqueiros, etc., tudo isto prosseguiu sem problemas durante o governo petista. Portanto, não há nenhum resquício de “esquerda” no PT, apenas a confirmação deste partido como fração do Partido Único da burguesia; dando continuidade aos programas dos antecessores, vendendo-se como “novidade”, porém, mantendo sempre o status quo, etc.

No entanto, ainda que fosse verdade a afirmação do PT como um partido de esquerda, este não seria em uma partícula revolucionário ou socialista. Sendo assim, a propaganda e agitação deveria continuar alinhada aos interesses revolucionários reais, concretos, direcionados verdadeiramente à revolução.

Se isto não acontece, a culpa não é das massas, contudo, da própria esquerda preguiçosa que quer atribuir sua falta de ação sistemática em educação, agitação e propaganda ao povo.
Por isso tudo, se a direita ganhar, ganhará nos parlamentos e fora deles. O camarada Stálin explica em A Duma de Estado e a Tática da Social-Democracia:

«(…) onde se produzir tal fenômeno, isto significa que a massa simpatiza com outros partidos e em todo o caso não escolherá como seus delegados os social-democratas, mesmo que participemos das eleições».

Agora, falemos sobre os argumentos de “diálogo e educação das massas através do participação eleitoreira”.

Chega a ser risível aceitar que, honestamente, alguém acredite que a participação educadora de um partido revolucionário, na vida das massas populares, deva ser resumida aos trinta segundos de TV reservados aos pequeninos partidos da esquerda oportunista.

Sobre esta baboseira, contrapomos o seguinte: não é melhor educar as massas através da imprensa proletária? Não é melhor dialogar com o trabalhador em grupos de estudo e com panfletagem? Não é melhor tomar parte nas lutas operárias e camponesas durante a própria experiência política destes povos, ligando-se a eles?

Respondido tudo isso, completamos com: e exatamente qual desses métodos necessita dos trinta segundos de televisão ou num voto para o PT?

Concluindo: a tática de boicote é indispensável neste momento histórico brasileiro. Somente ela pode acender a chama da luta popular, reavivando o espírito combativo de nosso povo.

É preciso, assim, não meramente ficar nas denúncias à farsa eleitoral (como fazem os anarquistas), como também apresentar claramente ao povo o caminho da rebelião e o caminho da Nova Democracia, deixando claro o caráter de cartas marcadas do parlamento brasileiro e seu Partido Único, denunciando a violência crescente nas favelas e campos, reafirmando sempre que eleições não mudam nada, apenas a luta popular é capaz de construir uma alternativa aos crescentes problemas enfrentados pelo povo brasileiro.