Tarefas Urgentes da Luta Estudantil

A revista Amigo Do Povo teve acesso à informação de que a luta da UNESP sofreu um temporário recuo: os professores, em assembleia, não tomaram parte na luta estudantil contra a fusão de departamentos (mais uma tentativa de Weintraub e seus asseclas para precarizar o ensino público).

Este revés temporário, no entanto, só foi a demonstração de uma lição: é preciso forjar uma unidade inquebrável entre docentes e discentes.

O método, para isso, é um reforço das ações de persuasão, propaganda e agitação.

Os estudantes devem organizar brigadas de propaganda, círculos de debate e toda forma de ação conscientizadora.

Esta não é uma tarefa tranquila, além de soar bem menos eficaz que simplesmente a formação de piquetes e bloqueios com a finalidade de parar aulas.
Mas, fazendo uma breve reflexão sobre a “tática dos piquetes”, aponta o caminho claro: tal tática só terminaria, neste momento, com a unidade desejada.

Os métodos de imediata ação direta seriam absolutamente inconsequentes, visto que iriam de encontro à vontade expressa democraticamente pelos professores.
Portanto, tal ação causaria a visão de que a vontade democrática de uns pode ser desrespeitada em detrimento da de outros.

O antídoto, por consequência, também passa em esclarecer aos estudantes que as condições objetivas para a rebelião, às vezes, estão maduras, porém, não as subjetivas. Ou seja, por vezes existem ataques diretos contra toda uma classe, todo um setor que, no entanto, ainda não dispõe das ferramentas analíticas e práticas para tomar uma medida de contrariedade consequente.

Neste cenário, todo progressista e democrata deve exercer sua paciência revolucionária, usando até o fim os métodos democráticos e de persuasão.

Por isso, reforçamos a necessidade de criar brigadas de propaganda entre os professores, círculos de debates entre os mesmos, a sistematização de trabalhos de propaganda verbal, comícios, distribuição de panfletos, etc.

Só com estes métodos serão afiadas as lâminas invencíveis da unidade, garantindo que, democraticamente, na próxima assembleia, seja assegurada uma união na luta.

Até lá, contudo, a tropa de choque da revolução pode e deve diversificar os meios da luta. Os estudantes devem insistir em convocar manifestações, demonstrações e passeatas, preferencialmente em locais estratégicos, que parem o trânsito, atraiam atenção das massas populares e da grande imprensa, demonstrando aos oprimidos que a luta não parou, sendo uma vela de esperança na escuridão da inércia.

Em linhas gerais, estas são as tarefas urgentes dos estudantes da UNESP.

Para além disso, convidamos também organizações progressistas e democráticas de todo o estado de São Paulo para apoiar esta luta, ajudar nos piquetes, distribuir panfletos e intensificar a agitação.
Nesta luta, a chave para a vitória é a união combativa, que não cede aos compromissos e soluciona as contradições internas pela democracia e centralismo.