A Individualização do ser humano como mecanismo de defesa do capitalismo
O Capitalismo te vende o individualismo e te rouba a força da comunidade.

Num mundo cada vez mais desigual, onde você é obrigado a ser cada vez mais individualista, se amar sozinho, ser feliz sozinho, ter sucesso sozinho, ser correto sozinho, salvar o mundo sozinho, você é o culpado sozinho.

O assassinato da jovem Agatha, pela policia assassina e fascista do velho estado, foi um dos últimos acontecimentos absurdos que vivemos em nosso país, isso somado a individualização extrema que a ideologia burguesa prega, o resultado é que agora nós somos os culpados pelo assassinato dela também, sabiam?

Há quem diga por aí que o culpado de existir o trafico de drogas é você! Já que você é usuário, isso significa que você financia todo o mecanismo, como a galera gosta de chamar. Mas por algum motivo obscuro escondem o motivo das coisas; e por alguma deficiência intelectual, deficiência de analise ou por puro mau-caratismo, não conseguem entender o porquê das coisas, afinal, por que existe trafico? Por que se usa drogas? Se rouba por quê? Por quê?

Engraçado pensar que só com três parágrafos a gente consegue refletir, mesmo que de maneira rasa, que não é possível que as coisas sejam assim simplesmente porque são. As coisas são assim porque existe um motivo, existem condições objetivas que fazem aquela situação existir, aquele evento acontecer.

Então vamos começar pela individualização forçada das pessoas.

A gente precisa entender que não há um ser humano fora da sociedade, porque é a sociedade que diz pra você quem você será antes mesmo de ser, vamos ver juntos.

Se você nasceu no Brasil é brasileiro, se nasceu no estado de São Paulo é paulista, se nasceu na capital é paulistano.

Parece obvio, não é? Então vamos mais a fundo!

Se nasceu na zona leste de São Paulo há enormes chances de ser pobre, se nasceu do bairro da Penha pra mais leste, essas chances aumentam ainda mais. As chances de você ser negro, em um bairro periférico, são muito maiores do que se estivéssemos analisando o bairro do Jardins por exemplo. Se seus pais gostam de MPB há chances de você também gostar, já quando fizer amigos há chances de compartilharem e adquirirem gostos em comum.

Juntos conseguimos, com essa pequena investigação, entender que você só é você porque existe uma sociedade. E só há sociedade porque há você e as outras pessoas. Porque nessa sociedade já construída você consegue negar o que não gosta, aderir ao que gosta, resumindo?

Você só consegue ser único, individuo particular, ter suas individualidades, porque também é geral, também é a sociedade.

Então o que seria essa tentativa do velho estado de fazer você não se reconhecer mais como sociedade, se não uma tentativa de que você não consiga identificar a verdadeira razão pela qual há problemas na sociedade? Para que você não consiga identificar os verdadeiros culpados, e o principal e mais importante, para que você não consiga se identificar quanto a classe que pertence?

Longe de mim querer rebaixar o acerto de alguém, então é preciso reconhecer que sim, há de fato um mecanismo que faz com que as coisas sejam assim, mas as perguntas mais importantes são que mecanismo é esse e como ele funciona?

Numa sociedade baseada no consumo e na propriedade privada, onde todo o lucro vai para algumas poucas pessoas, onde as pessoas são sucateadas e tratadas -cada vez mais- como lixo; onde as pessoas tentam de todas formas possíveis e impossíveis sobreviver, você realmente acha que o culpado do tráfico existir é porque há usuários de drogas? Você realmente acha que o culpado de existir assassinatos é porque há assassinos ou porque as pessoas simplesmente gostam de matar?

Então antes de qualquer coisa, é preciso dizer que não estamos e não vamos passar a mão na cabeça e tão pouco isentar de culpa nenhum traficante, nenhum assassino, nem algo similar, mas sim promover o debate do PORQUÊ há esse tipo de pessoas, o porquê há esse tipo de evento.

Descartando as exceções das regras, como psicopatas e sociopatas diagnosticados, isto é, como Marx advertiu, vamos explorar as circunstâncias que precisam ser humanizadas e que, atualmente como são, são fontes do antissocial.

Tratando do tráfico, devemos passar algum tempo explorando a política racista estadunidense que, em fins da década de sessenta passa a criminalizar um hábito tipicamente de negros e latinos no país: o consumo de maconha.

E claro que esta foi a desculpa, da época, para o aumento da repressão sobre esses povos.

Com o passar do tempo, a popularização de tal política em outros países, bem como a adoção da Guerra às Drogas, um novo cenário, internacional, foi aberto: capitalistas legalizados no Estado versus capitalistas ilegais no Estado paralelo do grande tráfico de drogas.

Nos confrontos e alianças destes grupos, as trincheiras são os inocentes, ou seja? Somos nós.

Muita gente quando descobre isso, leva a questão para a máxima “legalizar, já”. Mas isso não basta, pois o problema não é apenas o consumo de drogas, mas é também o encarceramento massivo de pretos pobres, os lucros exorbitantes das indústrias armamentistas, a infiltração de grupos que mantêm controle, pela força na política institucional, etc.

Genericamente, este é um problema social, relativo à própria essência da estrutura de nossa sociedade.

Portanto, é o caso de, em primeiro lugar, suprimir a propriedade privada dos meios de produção, acabando com essas rixas de capitalistas legalizados ou não; também passa por construir uma nova cultura baseada em entender que o consumo excessivo de qualquer substância entorpecente, é um mal de saúde e, que por isso, deve existir iniciativa do Estado quanto a isso, além da promoção de um estilo de vida que valorize —  justamente —  a vida, a sobriedade, a clareza, a saúde e a qualidade de vida.

A gente não pode se iludir achando que a responsabilidade é puramente individual, entender que fazem a gente achar e sentir isso de proposito. Fazem a gente querer ser sozinho, porquê tem medo da gente querer ser e estar junto.

A gente precisa ter em mente que esses acontecimentos, são um convite claro para agirmos, e transformarmos nossa sociedade em como nós queremos que seja. E pra isso é preciso saber como ela funciona, quem a controla, e o que vem dando certo e o que vem dando errado.

A gente precisa, juntos, tomar as rédias das coisas.