O Gigante Marighella e o Minusculo PCbrasileiro

Em meio às homenagens a Carlos Marighella, por virtude dos 50 anos de seu assassinato, veio um sentimento muito bom de felicidade em saber que estamos vivos e homenageando um revolucionário brasileiro, em meio a tempos tão sombrios como os que estamos vivendo. Digo sombrios por virtude do golpe militar contrarrevolucionário preventivo que estamos vivendo. Mas, concomitante a isso, os tempos são luminosos, porque só estamos vivendo esse momento porque os reacionários estão se borrando de medo do eminente levante das massas populares, levante em busca do fim de sua opressão, pela sua libertação, um levante rumo a uma Nova Democracia.

E como era de se esperar, oportunistas e canalhas de todo tipo se aproveitam do momento para se autopromoverem ou promoverem os outros com o uso da imagem do nosso revolucionário mulato baiano.

E o segundo caso é o que aconteceu, vindo de um rapaz do PCbrasileiro, onde diz o seguinte: “Marighella passa 95% da sua vida politica no PCB. Aprende a fazer politica, marxismo, pensar o Brasil, usar armas e as porras dentro do PCB. Rompe com o partido. Aí o mesmo infeliz que fala que o PCB era um antro de revisionismo e traição diz que o Marighella era um grande herói.”

Pois bem, o sujeito em questão usa da história de Marighella, para tentar defender seu partideco carcomido; afinal quem é o partido que um dia Marighella fez parte? Por que Marighella rompe com o partideco?

É inegável que o PCbrasileiro de hoje em nada representa o que um dia foi o Partidão de outrora; o PCbrasileiro de hoje, representa exatamente aquilo que fez o Marighella romper com ele, isto é, o revisionismo, o caminho de Kruschev, que fala em fazer revolução fazendo de tudo, menos a revolução.

A capitulação oportunista e revisionista do PCBrasileiro de outrora encontra ecos ainda hoje, em falas e práticas como a do “quadro” em questão, que refletem um parco ou nulo conhecimento da dialética, visto que esta aponta para a existência de tendências contraditórias em tudo, inclusive no Partido de Vanguarda da Classe Operária.

Talvez, porém, quem devesse explicar isto a ele fosse o próprio líder da ALN:

Todos os partidos do proletariado que foram adiante e obtiveram vitórias — inclusive chegando ao poder — passaram por um processo mais ou menos agudo da luta interna. Isto aconteceu na URSS, na China, em Cuba e outros países.

A experiência histórica brasileira mostra — por sua vez — que todos os passos para a frente em questões de orientação ou de correção da erros, na vanguarda do proletariado, sempre foram acompanhados de intensa luta interna.

Foi o que se deu em 1942-1945 (período do Estado Novo) e em 1956-1958 (período da discussão do culto à personalidade). É o que se dá agora, no período da derrota imposta ao nosso povo pelo golpe militar-fascista de 1º de abril de 1964.

Que é a luta interna, como e por que ocorre no partido marxista do proletariado?

A luta interna é o choque que sobrevém no seio do partido, quando se confrontam ideias contrárias, relacionadas com a prática na atividade dos militantes.

A dialética marxista incumbe-se de explicar o mecanismo da luta interna e sua natureza intrínseca, isto é, sua natureza própria, peculiar.

E o que isso diz pra gente? O que Marighella diz pra gente?

Diz (não o que mais pra frente Mao sistematizaria como “a luta de duas linhas”, apesar das semelhanças, porém, isto será detalhado em outra ocasião) que um Partido, estar nele, não é sinônimo de integral concordância e que, ao contrário, por vezes pode significar um franco combate de posições distintas. Neste caso, tão distintas que obrigaram Marighella à ruptura com a ala direitista de Prestes e dos adoradores de Moscou. Mas parece que isso é de desconhecimento do nosso querido revolucionário de parquinho, do nosso querido ‘ex-trotskista’, ou pelo menos finge que é, mas a história está aí e não nos deixará mentir como Marx e Proudhon, Lenin e Plekanov, Stalin e Trotsky, Mao e Xiaoping, está aí mais uma vez Marighella e Prestes.

É nosso papel combater arduamente todo tipo de revisionismo e oportunismo, é necessário que não fujamos de nenhum embate, para que assim tracemos uma linha clara entre nós e eles, assim ficará mais fácil para o povo enxergar o que compreende e muda a realidade, a consciência realmente revolucionária, afinal, como diria Lenin: “as massas tendem para a consciência como a planta tende para a luz”