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Arte do Povo - Entrevistas - Pintura - 12 de setembro de 2019

[Entrevista 1] A Arte e os Artistas do Povo.

A arte nasce da necessidade ‘espiritual’ (fantasia, desejo), do ser social, de se expressar o subjetivo, essa por sua vez, condicionada pelo concreto/material. Que necessidade é essa? Se comunicar! Então a arte, a priori, não nasce com o entendimento que temos hoje de arte, ela nasce com o objetivo de ser uma ferramenta para se comunicar. Com isso varias outras maneiras de se comunicar foram surgindo, mas a questão que pode surgir é: comunicar o que? Tudo!

O que está acontecendo. O que se está sentido. O que quero simular que o outro sinta.

Mas com a história andando em seu auto movimento imparável, atualmente no capitalismo, temos diversos tipos de arte. E a que nós queremos ressaltar é a arte feita pelo povo. A arte da classe oprimida, afim de expressar o que quase ninguém quer sentir, e comunicar o que quase ninguém quer entender: A luta que travamos todos os dias para sobreviver, a luta pelo fim do capitalismo, a luta pelo fim da opressão do homem pelo homem.

Então no final a arte do povo é antes de tudo educativa, porquê educa pra realidade, educa para que percebamos, mesmo que de maneira ainda não sistematizada, as contradições de nosso mundo.

E assim eram os artistas na URSS, com o teatro de rua com Maiakóvski inserindo aquilo no cotidiano dos proletários, com os cartazes de Dmitri Melnikov como o “Abaixo ao Capital, viva a ditadura do proletariado!”. Foi assim com o gigante dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht e toda sua obra enaltecendo a luta dos povos, assim como a pintora Frida Kahlo.

Artistas, mas acima de tudo militantes, militantes e artistas.

E aqui será, assim, a primeira matéria, do que pretendemos que seja uma séria infinita. A partir de hoje, buscaremos e entrevistaremos os “Artistas do Povo”. Com o objetivo de dar voz, divulgar o seu trabalho e incentivar a cada vez mais as pessoas a mostrarem suas expressões e aspirações de classe.

Outubro de 1917, a gigante Capital cai sob a massa de trabalhadores (Dmitri Melnikov, 1919 ou 1920)

AMIGO DO POVO: – Hoje entrevistamos o artista do povo, pintor Antônio Kuschnir. Bom dia Antônio, muito obrigado por doar um pouco do seu tempo pra gente.

ANTONIO KUSCHNIR: – Bom dia pra você, eu que agradeço.

AMIP: – Quantos anos você tem? E há quantos anos você pinta? Estava olhando seu Instagram, e vi que você pinta e tem um quadro mais bonito do que o outro, parabéns, mas um em especial me chamou atenção o ultimo postado, um quadro retratando a luta camponesa no Brasil

A.K: – Eu tenho 18 anos, pinto por conta própria já faz uns 3 anos, e mais ou menos desse período pra cá eu comecei a me interessar por política, marxismo e etc. Mas eu nunca soube bem como juntar as duas coisas (arte e política) por isso a maioria das pinturas não tratam de questões sociais em geral. Entretanto, já no início do ano eu fiz uma série de “Choros” em que eu fazia figuras de diversas pessoas em estado de grande sofrimento. Acho que nesse caso o choro, pra mim, vinha de um lugar de extrema dor e indignação com o banho de sangue que o velho Estado brasileiro impõe sobre o povo mais vulnerável. Isso é um exemplo de uma série de pinturas que eu fiz anteriormente que tem um conteúdo social sem ser da forma mais explicita como estou fazendo agora. Nesse caso me inspirei no pintor Portinari, que também teve séries sobre o sofrimento e a dor do povo brasileiro. Nesse caso eu quero agora com a nova série ir além da tristeza e transformá-la em luta ativa

à vitória pintura a óleo – Antonio Kuschnir (2019)

AMIP: – Que bacana! Vi que você é do RJ, você faz faculdade? Estuda na área das artes? Vem mais pinturas desse estilo por aí?

A.K: Sim! Esse ano eu entrei na UFRJ, curso pintura na escola de belas artes. Vem mais sim, eu decidi usar um pouco esse espaço, que eu estou aprendendo várias coisas novas, pra também fazer pinturas mais voltadas pra essas questões. A primeira – que eu postei – foi sobre a LCP, eu já tinha feito uma sobre a GPP na índia também. Essa série basicamente, é toda sobre a luta no campo.      

AMIP: Uma séria inteira sobre a luta no campo, incrível, a atuação dos verdadeiros democratas no RJ é cada vez mais implacável, muito legal saber que isso influenciou você. Você pinta desde os 15 anos, mas o que te motivou a começar a pintar?

A.K: Eu sempre curti desenhar, mas eu tinha parado um pouco de dar atenção pra isso. Aí eu comecei, depois, a estudar sobre história da arte, e fui ficando muito inspirado de conhecer a história da pintura nos séculos passados e aí resolvi voltar a desenhar e pintar por isso.

AMIP: Eu estou iniciando com você, o que eu espero ser uma série de entrevistas com muitos artistas do povo que vou procurar descobrir por aí. Você acha que os artistas do povo têm um papel importante nesse momento de luta tão intenso no nosso país? Que tipo de papel você acha que tem?

A.K: Eu acho que, enquanto verdadeiros democratas, precisamos de uma arte que atenda à demanda das lutas do nosso povo. E a arte tem um papel importante de destacar os movimentos sociais e políticos que estão em efervescência no nosso país, e pode contribuir pra formar a consciência das pessoas sobre esses movimentos.

Mas eu acho infelizmente que entre o meio artístico está muito disseminado ainda uma ideia de que a arte deve ser algo hermético, isolado, inacessível. Pra mim não significa que o artista seja obrigado a se dedicar exclusivamente a pintar apenas as lutas sociais e conteúdo revolucionário, ou fazer obras mais de propaganda, mas eu acho que é importante sim dedicar pelo menos parte de sua produção a esses temas, como forma de contribuir para essas lutas.

AMIP: Você tem algum quadro ou quadros, teus, que você mais gosta?

A.K: Eu realmente não consigo definir isso, mas tenho carinho especial pelos quadros que ainda não fiz. Pelas possibilidades de uma arte Nova que surge no horizonte dos artistas progressistas do mundo.

AMIP: Pra finalizar então, quer falar alguma coisa pra quem acompanha e vai passar a acompanhar teu trabalho? Deixar algum contato?

A.K: Ao público, sugiro que busquem formas de acompanhar, divulgar e incluir a Arte comprometida com a luta social nos seu dia a dia. Aos artistas, sugiro que busquem uma arte sincera, que não busquem o elitismo de uma arte separada do público, que evitem uma arte hermética encastelada nos cubos brancos do museu. Seria legal divulgar meu Instagram pra quem quiser acompanhar.

AMIGO DO POVO: Muito obrigado pelo seu tempo Antônio, foi um prazer conversar com você.

Pra quem se interessou e quiser acompanhar o trabalho do Antonio o instagram dele é o @antoniokuschnir.

Agora se você também é um artista do povo e quiser esse espaço pra divulgar o seu trabalho é só entrar em contato em contato@amigodopovo.com