Neste dia da Consciência Negra, furto meu pensar para algo que demanda um exame consciente: a origem do racismo no Brasil.

No período colonial, com a escravidão definida por aqui como modo de trabalho, toda uma superestrutura de justificativa social para a mesma foi criada.

O cristianismo tratou logo de afirmar seu ponto espiritualmente, enquanto os teóricos seculares de mais adiante trataram de encontrar, “cientificamente”, justificativas para hierarquizar etnias.

De trechos da Bíblia, até medições de crânio, todo o “consciente coletivo” das classes dominantes foi tomado por uma certeza: a raça negra merece ser subjugada.

Este raciocínio desumano, com efeito, foi combatido por figuras como Luís Gama, José do Patrocínio e André Rebouças. O Almirante Negro, além disso (mais tarde), ousou ameaçar o poder instituído, pagando isso com horríveis torturas.

A abolição da escravidão representou uma mudança formal e, de certo ponto de vista, falsa, no tocante às relações de trabalho, visto que os escravizados foram marginalizados e brutalmente proletarizados.

Em certos aspectos, nem sequer é possível falar em fim da escravidão, pois volta e meia estoura algum caso da persistência desta.

Tudo isto prova, portanto, que a mentalidade da elite brasileira é racista.

O proletariado brasileiro, no entanto, não estava disposto a engolir a baboseira genocida das classes dominantes e, logo, tratou de eleger seu representante político negro. Cito aqui Minervino de Oliveira, por sua figura de quadro operário.

Com isto, foi visível, pela primeira vez, o compromisso histórico do proletariado brasileiro de emancipar a si mesmo e emancipar o povo negro.

Ora, não é preciso uma longa caminhada por qualquer grande centro para notar o tom de pele do trabalho.

Todavia, é necessário apurar os ouvidos e olhos para notar os dados escondidos que comprovam a perseguição policial, a falta de oportunidades em postos de trabalho, etc.

A condição para liquidar esse sofrimento, inevitavelmente, passa por um controle operário dos meios de produção; uma democracia operária ampla e inclusiva; a abolição das polícias pelo povo em armas, dirigindo democraticamente sua ação armada; numa palavra: a ditadura do proletariado.

As condições de emancipação do proletariado são, também, as condições de emancipação do proletariado negro.

Deste modo, a missão histórica da última classe da história não é apenas de livrar a si mesma dos grilhões, mas toda a humanidade, todas as etnias, gêneros e sexos.

Com isto, e a tal Consciência Negra, levanto a bandeira da Consciência de Classe, visto que esta é a condição sine qua non para a libertação de todos.

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