Em discussões políticas e filosóficas de qualquer natureza, sempre há a possibilidade de engajar-se em um debate de forma a desqualificar o debate em si.
O agnosticismo filosófico ou a afirmação de que “uma vez que não podemos acessar tal conhecimento, não devemos nos importar com a verdade que há por trás dele” é uma das faces desta arma ideológica, o liberalismo, que tem por objetivo sufocar o debate e desorientar aqueles que dele participam. O chamado “pós-modernismo“, que — em suas várias formas — representa o grau supremo da degeneração da ideologia liberal-burguesa, tem por objetivo somar bases de sustentação para afirmações deste tipo.

Mas o que é este “pós-modernismo” citado?

As grandes guerras de rapina imperialista, aparentemente, provocam sempre uma onda de desdém ao que é racional.
Com efeito, a primeira grande “Crise da Razão”, isto é, a popularização de irracionalistas e “agnósticos” filosóficos modernos é dada na segunda metade do século XX, aquando da popularização esta dada próxima da Primeira Grande Guerra, manifesta no existencialismo, fenomenologia, etc.

Após a Segunda Grande Guerra, também, vem a segunda grande “Crise da Razão”, dessa vez como um desdém filosófico a todo o legado filosófico do período Moderno, i.e., dos fins do chamado Iluminismo até o pico dos grandes sistemas filosóficos de Kant, Hegel e Marx.

Deste modo, tal filosofia (levada adiante por nomes como Foucault, Bauman, Baudrillard, etc.) é que é entendida como “pós-moderna” — o pós-modernismo —, visto que, embora somem discordâncias aqui e acolá, somam consenso no ceticismo filosófico para com a produção Moderna.

Para o adepto pós-modernista, a busca pela verdade em uma sociedade, bem como no âmbito da construção ou modificação da mesma, está inevitavelmente fadada ao fracasso, posto que não existe uma “verdade”, mas muitas. Afinal de contas, a descoberta potencial de uma verdade viria de uma leitura totalizante da realidade, uma “Grande Narrativa”, que negam os tais “pós-modernos“.

Se quisermos compreender esta perspectiva, ainda que apenas por um momento, somos obrigados a perguntar: qual é seu papel, então, no tocante à capacidade do sujeito passivo de se converter em agente ativo, isto é, de compreender uma sociedade, atuar sobre ela e mudá-la?
A teoria deve ser entendida como uma ferramenta analítica ou científica, como um guia para a compreensão e para a transformação das forças sociais? Se sim, de que forma podem as teorias pós-modernistas nos ajudar a empreender tal tarefa? Objetivamente, tais teorias auxiliam ou atravancam as lutas por avanços na sociedade? Cabe a nós, ainda, fazer a derradeira pergunta: poderia algum progresso na sociedade ser concebido ou simplesmente apreciado, no mundo bizarro, desfigurado, pervertido, deformado e arbitrário da chamada pós-modernidade?

É notável a forma como a rejeição dogmática de uma verdade objetiva, baseada na realidade material, pode impor entraves a uma avaliação sóbria da sociedade, uma vez que não pode haver consenso a respeito de um fato qualquer no âmbito do ideário pós-modernista. Qualquer tentativa de analisar um fenômeno sob a luz da ciência será necessariamente confrontada com uma infinidade de questionamentos sobre as “teorias totalizantes”, “grandes narrativas” e até a noção de “progresso” em si. Ora, isso tudo é muito cabível e aceitável no domínio do idealismo puro, onde debates academicistas acerca do abstrato e de questões imateriais, inerentes ao mundo das ideias, constituem um objetivo em si.
Fora deste âmbito, devemos analisar sob a luz do materialismo dialético e histórico, quer dizer, de um método científico que obedeça a realidade objetiva como tal, se não quisermos ser ludibriados pela pirotecnia desse novo idealismo. Em última análise, e a realidade objetiva e sua história comprovam, isto é que empurra adiante a luta social e os indivíduos que nela tomam parte, como os agentes históricos que são.

Pelo mesmos motivos supracitados, os irracionalistas atuais, perdidos em debates imaginativos e ensimesmados, no referente ao processo social e científico, não avançam um passo sequer.

Fica evidente, também, que os “pós-modernos” lançam na organização democrática, popular, enorme confusão e entraves objetivos — na última década, no Brasil, aliás, todos bastante bem verificáveis.
Destacamos, para mero efeito de exemplo, os rumos pequeno burgueses e liberais que este conjunto de ideias causou nas fileiras dos movimentos de minorias políticas: cultura antipovo, hedonista e desligada da realidade popular; uma massa amorfa de ebriedade rotulada de “militância”; desdém ao materialismo histórico e dialético, etc.

Então, o que temos aqui?

Uma filosofia irracionalista, nascida do desgaste e desesperança da burguesia frente ao decadente e moribundo mundo que criou, novamente, colapsando em crises medonhas.
Este mundo moribundo, além disso, devora a si mesmo, pois rejeita tudo que os melhores pensadores do auge do otimismo burguês produziram.

Temos, portanto, a soma de uma constante negação da verdade objetiva, da busca pela superação do mundo atual e, finalmente, uma prática desorganizada e decadente, que divide as fileiras dos oprimidos em conflitos internos.

Perguntamos: poderia algum progresso na sociedade ser concebido ou simplesmente apreciado, no mundo bizarro, desfigurado, pervertido, deformado e arbitrário da “pós-modernidade“?

E aqui respondemos: não.

A soma do irracionalismo das várias vertentes do “pós-modernismo” conduz, apenas, à mesma depressão e pessimismo que forjou toda essa “escola” de pensamento.

O progresso verdadeiro, assim como a real emancipação, passam por aquilo que superou os melhores ideólogos da burguesia na sua Era de Ouro: o marxismo, hoje, marxismo-leninismo-maoísmo.

Na prática, devemos refutar e tirar do caminho da juventude progressista — em especial a pertencente aos grupos de minorias políticas — essas ilusões acadêmicas atraentes, demonstrando que o caminho para a justiça é o caminho da construção de um novo mundo: da construção da Revolução.