A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes.

Quando falhamos em compreender o mundo como autêntico produto das operações econômicas consequentes da luta de classes, falhamos em compreender o mundo.

Desde o surgimento da propriedade privada, a história humana produziu grupos antagônicos em sua organização social: as classes.
Essencialmente contraditórias, pois, uma delas tem a propriedade privada em si, bem como o poder político para impor sua visão de mundo, leis, etc.; enquanto outra é despossuída, dominada e castrada até a alma de qualquer expressão dos próprios anseios objetivos.

Com o passar dos tempos, as contradições ficam explícitas. A omissão e ocultação dos problemas adquire novas formas, formas repressivas, com caráter censor.
Em contrapartida, essa supressão escancarada dos interesses materiais dos oprimidos gera, ainda mais, o desejo de luta destes oprimidos.

Inicialmente, os oprimidos fazem circular denúncias, em forma verbal ou escrita (como é nos tempos atuais, com a imprensa popular).
As denúncias são estopins de formas coletivas de protestos e organizações primitivas de resistência e rebelião crua.
Essa rebelião crua é, posteriormente, capitaneada por uma vanguarda da classe oprimida em questão; esta vanguarda organiza suas próprias forças armadas e depõe os opressores.

Essa lógica interna da história humana, até aqui, não foi modificada. Na realidade, ocorre nesse momento, no próprio Brasil.

Por conseguinte, não é possível omitir que todo interesse político, econômico, etc., corresponde aos interesses dos oprimidos ou dos opressores.
Restando a quem avalia a conjuntura com honestidade a tomada de um lado.

O chamado “meio-termo” é risivelmente inverossímil. Por um motivo: ele mantém a ordem atual das coisas, coisa insuportável para os oprimidos por muito tempo.

Assim, este provisório “meio-termo” é possível até a rebelião eclodir.

Ao apreendermos a realidade desta maneira, é possível afirmar: devemos assumir responsabilidade.
Por uma classe, ou outra. Por quem domina, ou por quem é dominado.

Uma vez com esta responsabilidade, resta-nos adentrar o mundo prático daquilo que escolhemos defender. No caso da escolha pelos oprimidos, tomar parte em suas denúncias e lutas orgânicas; no caso da escolha pelos opressores, cruzar os braços e torcer para que o carrasco não erre o machado… Ou mesmo tomando parte em ações contrarrevolucionárias.

Para orientar esta ação consciente, voluntária, é preciso ter um norte ideológico e uma finalidade, a teoria.
Até hoje, a teoria mais eficaz para o proletariado é o marxismo; porque, ao contrário de muitas outras, é orientada por uma pergunta apenas: esta ação beneficia os trabalhadores ou os exploradores?

O mundo, assim, toma a forma de um campo de batalhas; ora discretas, ora abertas; ora violentas e sangrentas, ora pacíficas e na base do grito.

O mundo, enfim, adquire sua forma concreta: a forma de luta de classes.

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