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Economia - Formação - 28 de maio de 2020

O Que é Salário?

Dito de forma simples, o salário é o preço pago pelo patrão* pela força de trabalho de um trabalhador*.

No início do processo produtivo, o patrão gasta parte de seu capital em matéria-prima, meios de produção (ferramentas para o trabalho) e a força de trabalho, quer dizer, a(s) pessoa(s) que manejarão estes itens para produzir uma mercadoria.

Como exemplo simples, imaginemos a linha de montagem de um veículo. Inicialmente, o patrão comprou as máquinas usadas na montagem, o metal, a borracha, o vidro, etc. O exército de trabalhadores, então, usará tudo isso para montar vários veículos.

No entanto, testemunhamos sempre que, por maior que seja o preço da mercadoria, isso não é refletido necessariamente no salário.

No nosso exemplo dos automóveis, por mais que um carro seja vendido por dezenas de milhares de reais, raramente o salário do operário que produziu este veículo será maior que mil ou dois mil reais.

Por qual razão?

Em primeiro lugar porque os salários são calculados, apenas, com base no custo de produção, ou seja, no valor de manter vivo quem produziu a mercadoria que será vendida, acrescentando (quando é o caso) o que foi necessário em termos de conhecimentos específicos para tornar aquele trabalho possível.

Em segundo lugar, porque o crescimento do capital é inversamente proporcional ao do salário.

Primeiro, o que é capital?

Em linhas gerais, dinheiro transformado em em mercadoria que, por sua vez, virará mais dinheiro.

Por exemplo: um investidor compra X ações por N reais. Depois, quando N aumentar de valor, as vende.

Outro exemplo: um industrial com 100 milhões de reais de investimento inicial, compra X quantidade de máquinas, Y toneladas de algodão e emprega Z quantidade de trabalhadores para fazer roupas. Porém espera fazer pelo menos 200 milhões de reais com a venda das mercadorias produzidas.

Ou seja, capital é trabalho acumulado, como explicou Marx:

“O capital consiste de matérias-primas, instrumentos de trabalho e meios de subsistência de toda a espécie que são empregues para produzir novas matérias-primas, novos instrumentos de trabalho e novos meios de subsistência. Todas estas suas partes constitutivas são criações do trabalho, produtos do trabalho, trabalho acumulado. Trabalho acumulado que serve de meio para nova produção é capital.”

Para produzir valor, capital, este trabalho acumulado, morto, deve sugar o trabalho vivo tanto por colocá-lo em movimento, quanto por não pagá-lo totalmente.

Com efeito, há aí um roubo mascarado: a mais-valia. Uma parte do trabalho que não é paga ao trabalhador.

Do contrário, os patrões teriam prejuízos. Afinal, o lucro obtido no ato da venda da mercadoria não compensaria todo o investimento e, com a competição no setor em questão, os preços jamais podem ser elevados demais, ou simplesmente não há a possibilidade de venda.

Voltando ao nosso exemplo da fábrica, as coisas passariam da seguinte forma caso o capitalista pagasse o valor integral do trabalho aos seus funcionários: ele teria que deduzir os gastos com os reparos das máquinas, de compra das novas matérias-primas, dos novos investimentos em tecnologia do resultado da venda de seus veículos. Pagando tudo que os operários produziram, centavo a centavo, o que sobraria ao nosso Henry Ford? Absolutamente nada, ou míseras migalhas de um preço muito elevado que, em breve, seria derrubado por algum concorrente perspicaz.

Por esse movimento de usar do trabalho para criar lucro e explorar a mais-valia, o capital cresce na mesma razão que em encolhem os salários.

Só que, por vezes, os salários sobem. Aqui, para efeitos de esclarecimentos, identificamos que o crescimento do salário é sempre relativo. Ou seja, por mais que nominalmente um salário aumente, se o capital em relação a ele cresceu muito mais, o aumento real não foi significativo.

Um exemplo ligado ao hoje: por mais que do ano passado para cá, nominalmente, o salário tenha crescido, a concentração de renda aumentou ainda mais e, além disso, diminuiu a oferta de mercadorias por consequência da crise. Logo, o salário real diminuiu, ou, em termos claros: com o mesmo salário de hoje, compramos menos que ontem.

Por último, apontamos que o trabalho assalariado é uma relação capitalista em essência, visto que o crescimento do capital depende do trabalho assalariado.

A única forma existente de acumular fortunas, no fim das contas, é pelo roubo do trabalho alheio através da lógica acima exposta.

A única resposta que devemos dar a isso, para além das guerras de guerrilhas por melhores salários e condições de vida indispensáveis, é:

PELA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO ASSALARIADA!

Portanto, lutando pela forma socialista, cujo pagamento pelo trabalho segue a fórmula “de cada um, de acordo com sua habilidade; para cada um, de acordo com seu trabalho”.

*Os termos mais apropriados são Capitalista e Proletário, respectivamente, afim de simplificar o texto e com isso facilitar sua assimilação, fizemos essa mudança.