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Economia - Formação - 14 de março de 2020

Resposta a uma calúnia – Laura Marx

Em ocasião do falecimento do grande mestre do movimento proletário internacional, divulgamos em tradução livre, uma carta das filhas de Marx, às difamações que seu pai sofria mesmo após seu falecimento.

É irônico observar que, desde o início da sua militância prática, da sua morte e até a derrubada total do sistema capitalista, Marx sofreu e sofrerá as mais variadas calúnias a respeito de sua vida pessoal – um subterfúgio daqueles que não podem contestar a verdade científica que este homem descobriu e o coloca entre os grandes cientistas da história, como Darwin e Einstein.

Atacar o homem, na cabeça desses filisteus, é atacar sua teoria social. No entanto, Marx era querido por todos que estavam à sua volta e viam sua obstinação, com o qual dedicou a vida à luta do proletariado. Seu esforço foi recompensado e hoje sua teoria social guia os trabalhadores de todo mundo rumo a vitória contra o capitalismo e o imperialismo.

Laura Marx

“Na sessão do Reichtag alemão de 31 de março, M. de Bismarck dizia, segundo a resenha oficial taquigrafada:

‘Este (August Bebel) se apoiou em Marx. Eu não sei se Marx tinha uma escola de assassinos, mas tenho ouvido dizerem que o homem que cujo revólver deixou sinais em meu corpo, Blind, era discípulo de Marx.’

A este singular temor que inspira a Bismarck nosso falecido pai, eis aqui nossa resposta:

  1. Desde o período de doze ou treze anos, Fernando Blind não tinha voltado a ver Marx, nem havia tido com ele nenhum gênero de relações.
  2. Se Fernando Blind, ao disparar uma pistola contra M. de Bismarck, enfrentava bravamente a morte, não podia guiá-lo senão a ideia patriótica de preservar a Alemanha de uma guerra civil e livrar a opinião pública alemã, liberal, progressista e democrática, em uma palavra, a burguesia alemã, da opressão bismarckiana. Coisas que deixavam nosso pai na mais absoluta indiferença.
  3. O mesmo que o maestro e modelo de Bismarck, Luis Bonaparte, e que todos os demais ‘Grandes Homens’ da dominação capitalista em sua ocasião, Bismarck não era aos olhos de Marx senão uma figura cômica, no máximo útil, e ainda sim por intervalos, como cúmplice involuntário da revolução proletária. Marx não tinha o menor interesse em que semelhantes personagens se livrassem por uma morte prematura de sua inevitável Sedan*, no interior ou no exterior.
  4. A ideia ridícula de que um homem como Marx podia se ocupar de “educar assassinos”. Prova mais uma vez quanta razão tinha nosso pai em considerar a Bismarck como um hoberau [Hobereau, uma espécie de figaldo de escassos meios de riqueza, ignorante, orgulhoso e brutal. Na Alemanha, e em particular na Prússia, estes nobres de cátedra, tiranos insuportáveis, formam uma classe universalmente odiada.] prussiano dos mais obtusos, apesar de toda a sua astúcia, e absolutamente incapaz de compreender qualquer movimento histórico.

Paris e Londres, 14 de abril de 1886. Laura Lafargue. Eleanor Marx-Aveling.”

Notas:
*Sedan se refere a cidade francesa, local da batalha franco-prussiana, que terminou com a derrota de Napoleão III.

Fonte: Marxists Internet Archive