Em ocasião do falecimento do grande mestre do movimento proletário internacional, divulgamos em tradução livre, uma carta das filhas de Marx, às difamações que seu pai sofria mesmo após seu falecimento.

É irônico observar que, desde o início da sua militância prática, da sua morte e até a derrubada total do sistema capitalista, Marx sofreu e sofrerá as mais variadas calúnias a respeito de sua vida pessoal – um subterfúgio daqueles que não podem contestar a verdade científica que este homem descobriu e o coloca entre os grandes cientistas da história, como Darwin e Einstein.

Atacar o homem, na cabeça desses filisteus, é atacar sua teoria social. No entanto, Marx era querido por todos que estavam à sua volta e viam sua obstinação, com o qual dedicou a vida à luta do proletariado. Seu esforço foi recompensado e hoje sua teoria social guia os trabalhadores de todo mundo rumo a vitória contra o capitalismo e o imperialismo.

Laura Marx

“Na sessão do Reichtag alemão de 31 de março, M. de Bismarck dizia, segundo a resenha oficial taquigrafada:

‘Este (August Bebel) se apoiou em Marx. Eu não sei se Marx tinha uma escola de assassinos, mas tenho ouvido dizerem que o homem que cujo revólver deixou sinais em meu corpo, Blind, era discípulo de Marx.’

A este singular temor que inspira a Bismarck nosso falecido pai, eis aqui nossa resposta:

  1. Desde o período de doze ou treze anos, Fernando Blind não tinha voltado a ver Marx, nem havia tido com ele nenhum gênero de relações.
  2. Se Fernando Blind, ao disparar uma pistola contra M. de Bismarck, enfrentava bravamente a morte, não podia guiá-lo senão a ideia patriótica de preservar a Alemanha de uma guerra civil e livrar a opinião pública alemã, liberal, progressista e democrática, em uma palavra, a burguesia alemã, da opressão bismarckiana. Coisas que deixavam nosso pai na mais absoluta indiferença.
  3. O mesmo que o maestro e modelo de Bismarck, Luis Bonaparte, e que todos os demais ‘Grandes Homens’ da dominação capitalista em sua ocasião, Bismarck não era aos olhos de Marx senão uma figura cômica, no máximo útil, e ainda sim por intervalos, como cúmplice involuntário da revolução proletária. Marx não tinha o menor interesse em que semelhantes personagens se livrassem por uma morte prematura de sua inevitável Sedan*, no interior ou no exterior.
  4. A ideia ridícula de que um homem como Marx podia se ocupar de “educar assassinos”. Prova mais uma vez quanta razão tinha nosso pai em considerar a Bismarck como um hoberau [Hobereau, uma espécie de figaldo de escassos meios de riqueza, ignorante, orgulhoso e brutal. Na Alemanha, e em particular na Prússia, estes nobres de cátedra, tiranos insuportáveis, formam uma classe universalmente odiada.] prussiano dos mais obtusos, apesar de toda a sua astúcia, e absolutamente incapaz de compreender qualquer movimento histórico.

Paris e Londres, 14 de abril de 1886. Laura Lafargue. Eleanor Marx-Aveling.”

Notas:
*Sedan se refere a cidade francesa, local da batalha franco-prussiana, que terminou com a derrota de Napoleão III.

Fonte: Marxists Internet Archive

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