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Arte do Povo - Crônica - 4 de agosto de 2020

O Homem em Isolamento e sua Consciência

Nascer e viver na modernidade. Quem podia esperar que essa Era levaria sua ideia mestra até o absurdo: o Isolamento total.

Este animal chamado homem não viu obstáculos pra sua ascensão na cadeia da sobrevivência. Ele, que dominou todos e até ele próprio, se vê preso na redoma que construiu com sangue. Ainda sim, é místico e suas abstrações não o enganam.

Experimentou os prazeres artificiais e, de fato, são a prova do monstruoso vazio que existe na alma moderna. 
Nunca são suficientes nem mesmo pra um período relativamente longo às horas do dia e curto aos muitos dias da vida.
Prazeres cada vez mais artificiais, mas como poderiam ser diferentes à essa altura?

No entanto, é preciso ser justo e olhar para a Dor. Se tais prazeres não fazem jus aos metafísicos, a Dor, por outro lado, torna opaco o brilho da vida. Arranca de pouco em pouco o que há de sublime e entrega para o abismo do tempo.

Os sentidos são enganados e enganadores. Por vezes aceitamos de bom grado o convite à ilusão. O alimento torna-se veneno, o remédio torna-se vício, a doença, negócio. A arte torna-se passatempo. Ainda sim, algum virtuoso acharia um absurdo aceitar esse convite? Este animal o faz consciente, muitas vezes, pois não pode (ainda) dinamitar a ilha de Manhatan.

A realidade é, então, tal mistério. Mistificada, faz questão de esconder sua essência, tal como uma boa obra de arte deve ser. Na sua estante existem diversas opções e caminhos. Muitos deliberadamente falsos, filhos da má Mística, uma rainha que foi destronada há muito tempo, mas se nega a sair de seu trono. Há caminhos científicos e religiosos. Existem aqueles obscuros e os belos.

O Isolamento, não ironicamente à esse animal cheio das abstrações, também é ele mesmo, vez e outra, subjetivo. Se ele olhar pela janela vai ver um mundo estranhamente normal.

No fim, esse animal vê necessidade na sua autoconsciência. E talvez aí morem ideias que são o que há de mais belo e poético que pode sair da boca da Ciência. Ele pensa na sua conexão com a natureza. Aonde se afasta da Selva, é onde se eleva. E quando se eleva, pode salvar a todos e a si mesmo. Sem mais dor, sem mais isolamento.

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