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Agitação - Política - 6 de abril de 2020

A denuncia é a nossa voz

Começo essa reflexão com uma pergunta: por que denunciamos?

Há muitas razões que poderíamos levantar que respondem a esta pergunta, mas acreditamos que podemos partir do fato de que fazemos parte da verdadeira imprensa popular e democrática.

Com isso, estamos, de um lado, em oposição à imprensa burguesa e, de outro, com um compromisso inquebrável com a visão de mundo que vai nos libertar, mais cedo ou mais tarde.

Se você que está lendo não consegue engolir muitos sapos todo santo dia, saiba que está no seio do povo trabalhador uma inconsciente inquietação, uma sensação física que evidencia que muita coisa está errada — senão tudo. O que algumas vezes fica escondido é que há uma explicação concreta para dia após dia presenciar e sentir injustiças quase sem fim.

Ou seja, você não é o único e não está errado.

Não é normal a miséria que nos atinge gradualmente; não é normal não ter um lugar para morar, uma terra para cuidar e se assentar, estar desempregado; não é justo pais trabalharem feito condenados para sonhar em dar um futuro digno aos seus filhos e esta dignidade não chegar nunca.

Já publicamos certa vez um humilde texto dizendo o que deve ser feito (aliás, sugiro que o leia); porém, se o leitor me permite, além de nos organizarmos, combatermos o oportunismo para não cairmos nas velhas armadilhas que perduram no nosso tempo, precisamos dar vazão ao nosso espírito e à nossa abnegação também na denúncia.

Por isso, neste momento pandêmico (como em qualquer outro) fazemos questão de falar e falar até a garganta (e os dedos) cansar. O que estamos atravessamos e o que virá não é justo. E se você também pensa desta forma — assim espero — faça questão de demonstrar a sua indignação a quem quer que seja.

É na manifestação de um que a raiva e o espírito de justiça aparece no outro.

Já estamos todos saturados com a grande mídia burguesa convencional que tudo monopoliza e banaliza, tudo explica das mais variadas meia-verdades absurdas. Sabemos bem que duas característica desses mentirosos são bem perigosas: a oportunista e a fatalista.

Ambas são uma pedra no sapato, um muro às vezes inalcançável do honesto trabalhador, que procura respostas para a sua vida oprimida ser assim.

A primeira, como o próprio nome diz, se aproveita desse momento caótico para justificar a permanência de um sistema caduco e de um velho Estado por meio de saídas e explicações mentirosas. Ao passo que a segunda, curiosamente, diz que vamos morrer e não podemos ficar em casa porque… sim. (?)

Por isso, nosso papel é ir e estar, na medida do possível, em todos os lugares para desmenti-los. Eles nunca vão querer explicar de fato qual a raiz de tudo isso. Responder a essa questão, pra eles, é entregar o ouro de bandeja.

Temos que mostrar as contradições incutidas no sistema de saúde, na falsa solidariedade das empresas, no “compromisso” com a verdade em “informar” exaustivamente o que não queremos saber.

Portanto, respondendo novamente à pergunta, denunciamos porque o povo não deve se calar. Porque a raiva contra o descaso dos poderosos é um sentimento amargo, que não existiu “desde sempre”. Um sentimento que só pode ser arrancado de nossos peitos com a extinção dos poderosos e das suas mentiras rotineiras!

Há duas verdades, a dos parasitas e a nossa. Em qual dela você quer estar? Defender a inércia, o fatalismo, os oportunistas que querem lucrar, nos explorar ainda mais, ou denunciar estes abusos e buscar uma vida melhor?

A denúncia é a nossa voz. É o nosso primeiro meio de buscar e fazer justiça. Defenda as iniciativas da imprensa do povo!