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Brasil - Política - 31 de maio de 2020

A Quarentena Inteligente do Gestor

O governador de São Paulo, João Dollar, anunciou no dia 27 a sua “quarentena inteligente”. Ou seja, um passo a passo para que todo o estado cesse a quarentena de forma “heterogênea”, segundo projeto de “gestor”. Cada cidade e região percorrerá um caminho para reabrir a atividade econômica como um todo.

O “administrador” do estado mais afetado do país desde o início da pandemia vem dando um dos maiores exemplos de humanismo de ocasião — isto é, quando convém — e de esconder a falência do sistema de saúde pública de São Paulo.

Vejam: o Brasil — e São Paulo, consequentemente — não tem capacidade de mensurar o real número de mortos e infectados, pois não possui testagem em massa e gasta rios de dinheiro na compra de respiradores estrangeiros (no meio de uma verdadeira guerra de rapina para adquirir os itens). O estado de São Paulo não quer fazer o famigerado lockdown porque os amigos empresários de Dória não querem, contrariando uma pesquisa na qual a maioria dos brasileiros apoia o fechamento total. O transporte público continua mais lotado ainda porque o itinerário foi reduzido e não é novidade trabalhadores flagrarem a não higienização de ônibus e metrô.

Não é preciso realizar um mega estudo para provar que a população trabalhadora pobre e preta é a quem mais morre e sofre com a crise do capitalismo agravada pela pandemia do coronavírus. O mais trágico disto tudo é que, tratando da região metropolitana, as cidades que entornam São Paulo estão na “Fase 1” (manter tudo como está), enquanto que ela estará na “Fase 2”, reabrindo o comércio, shoppings centers e outras atividades de aglomeração (por pressão dos donos de grandes lojas da cidade).

Ora, como São Paulo concentra a maior ou grande parte dos trabalhadores de Osasco, ABC, Guarulhos, Diadema, Ferraz de Vasconcelhos, Taboão da Serra e afins, os trabalhadores se deslocam e aglomeram-se para a metrópole. Assim como muitas pessoas destas outras cidades vão e irão aos shoppings e comércios da capital.

Como, João Dória, frear a contaminação e o número de mortes no estado? A verdade é que você não quer!

Em plena pandemia houve despejo de moradores em Piracicaba, interior do estado. Se grande parte da população não estivesse em casa, a letalidade policial continuaria aumentando. E um dia após o anunciamento da quarentena inteligente, o estado registra um número recorde de casos de COVID-19. Ameaçou, ameaçou e ameaçou o fechamento total no estado, mas não passaram de ameaças — apesar do crescente contágio e taxas de mortalidade estratosféricas.

O que o humanista de ocasião está fazendo é usar os números muito longe da real pilha de mortos para fazer um palanque político próprio. Faz críticas sempre que pode ao fascista Bolsonaro, mas ambos são dois lados da mesma moeda mortal do capitalismo.

Dória é apenas mais um oportunista que têm brilho nos olhos ao mirar a faixa presidencial do gerente de turno. Hoje, um “liberal”; amanhã, um fascista.