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Mundo - Política - 28 de julho de 2020

A Situação das Mulheres em meio a Pandemia

A pandemia do novo Coronavírus trouxe mudanças irreversíveis nos mais diversos aspectos da sociedade. Em todo o canto – e principalmente nos chamados “países do terceiro mundo” –, o que se vê é o aumento do desemprego e da fome, o agravamento da situação das famílias e o prenúncio de uma hecatombe a níveis jamais vistos nos anos que se seguirão.

O que pouco se analisa nos grandes monopólios da mídia é sobre a situação, em especial, das mulheres.

Já é sabido que as mulheres estão em posição de maior vulnerabilidade no mercado de trabalho. Em geral, recebem menos, mesmo exercendo as mesmas funções. Além disso, a grossa parte ainda está relegada aos cargos e atividades de menor prestígio e remuneração, ao passo em que é cada vez maior o peso do trabalho e da exploração que recai sobre seus ombros.

Um importante dado recente, colhido acerca da situação das mulheres no mundo do trabalho, contraria algo que ocorreu nas últimas quatro décadas: enquanto antes os homens eram os mais impactados pela perda de emprego numa recessão, hoje, com a crise agravada pela pandemia do novo Coronavírus, são as mulheres as principais prejudicadas.

A começar pelo fato de que as mulheres são a maioria dos trabalhadores do setor de serviços/comércio e também dos trabalhadores informais – maiores prejudicados pelos efeitos da pandemia.

Ainda, o relatório “Mulheres no centro da luta contra a crise da Covid-19”, divulgado no final de março pela ONU Mulheres, traz algumas interessantes informações:

  1. 70% dos trabalhadores de saúde em todo o mundo são mulheres, fato que as expõe a um maior risco de infecção pelo novo coronavírus [no Brasil, por exemplo, as mulheres chegam a representar 85% dos trabalhadores da enfermagem];
  2. Com o isolamento, os índices de violência doméstica e feminicídio têm aumentado – como as mulheres estão confinadas com seus agressores e distantes do ciclo social, os riscos para elas são cada vez mais elevados;
  3. Entre os idosos, há mais mulheres vivendo sozinhas e com rendas menores;
  4. Mulheres também são maioria em vários setores de empregos informais, como trabalhadores domésticos e cuidadores de idosos;
  5. Com a pandemia, mulheres têm de se dividir entre diversas atividades, como emprego fora de casa, trabalhos domésticos, assistência à infância (cuidado com filhos), educação escolar em casa (visto que as escolas estão fechadas) e assistência a idosos da família;
  6. No setor têxtil, um dos mais afetados da indústria em todo o mundo, paralisado por causa da interrupção no funcionamento de lojas, as mulheres são três quartos do total de trabalhadores;
  7. Antes da Covid-19, mulheres desempenhavam três vezes mais trabalhos não remunerados do que os homens; com o isolamento, a estimativa é que este número triplique.

Marx nos ensina que o salário do operário não é mais que o necessário à sua sobrevivência e reprodução. Portanto, quando a mulher cozinha, lava, passa, cuida dos filhos e dos idosos da família e executa uma infinidade de outras tarefas domésticas, ela garante a reprodução da força de trabalho para as classes exploradoras na forma de trabalho gratuito, não pago. Não é de se espantar que essa exploração só tenha se aprofundado com a pandemia.

Já mais especificamente dentro do cenário nacional, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou no fina; de maio uma pesquisa com mais de 40 mil pessoas sobre as mudanças vividas durante o isolamento social. Os resultados novamente apontam que as mulheres foram mais afetadas que os homens. Sobre o estado de ânimo, as que se sentem tristes ou frequentemente deprimidas foram 50% das entrevistadas, enquanto para os homens esse percentual chegou a 30%. O índice de quem disse ter se sentido ansioso ou nervoso no período foi de 60% para as entrevistadas, chegando a 43% no público masculino.

Tais números podem ser explicados, entre outros fatores, pelo excesso de trabalho que cabe a elas durante a pandemia: 26,4% delas afirmam que o trabalho doméstico aumentou muito, percentual mais de duas vezes maior que o dos homens, 13,1%. O que implica em dificuldades maiores também para a execução de atividades relacionadas ao emprego de forma geral, em especial quando há home-office (trabalho remoto).

Houve, ainda, o aumento do consumo de álcool e cigarros: entre as mulheres fumantes, o aumento do percentual de quem passou a acrescentar o consumo de dez cigarros por dia foi de 29%, índice que é de 17% entre os homens. Na pesquisa, 18% dos entrevistados relataram que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou no período, número que chega a 29% entre as pessoas que têm entre 30 e 39 anos. Tais comportamentos estão diretamente associados principalmente às perdas socioeconômicas e preocupações de forma geral.

Todos estes dados somados jogam por terra o discurso ilusório e oportunista midiático pós-moderno de que as mulheres “são todas iguais” e necessitam de “mais representatividade” – tudo isso enquanto nos exploram, nos oprimem, nos humilham, nos sexualizam (e não poupam nem as nossas crianças). Nos empurram um padrão de consumo e de “beleza” cada vez mais nocivo e endividador. Nos adoecem e destroem nossas mentes e corpos.

São nesses momentos de crise estrutural que percebemos o quanto o capitalismo, sua fétida burguesia e seus “representantes” nos esmagam de cima para baixo – com a óbvia complacência das mulheres burguesas. A pandemia só escancara o que já dizemos exaustivamente: a opressão feminina tem caráter de classe e é em decorrência disto que a emancipação da mulher só pode se realizar de fato através da libertação de toda a classe.

Logo, somente a revolução social, a revolução proletária que destrói este capitalismo burocrático e constrói uma nova democracia, ininterrupta ao socialismo, é que pode conduzir verdadeiramente à emancipação da mulher. Para tal, as mulheres trabalhadoras devem lutar lado-a-lado com seus irmãos de classe, forjando uma nova sociedade e um novo ser, assim sendo as reais criadoras das bases materiais e subjetivas para sua completa emancipação.

Somente numa sociedade socialista as massas de mulheres são realmente integradas na produção social: isto é, as atividades domésticas são industrializadas, entre um conjunto de medidas que libertam objetivamente a mulher trabalhadora da escravidão doméstica, além da plena igualdade jurídica com o homem.

Esta tarefa indelével está cada dia mais próxima de sua resolução, com o agravamento geral não apenas da vida do povo, mas principalmente da crise de decomposição deste podre e velho sistema e sua sociedade decadente. Os cães ladram (e hão de ladrar!), mas a caravana passa.

É hora de destruir o velho mundo e dos seus escombros erguer o novo mundo!

“As mulheres sustentam sobre seus ombros metade do céu, e devem conquistá-lo”. (Mao Zedong)