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Brasil - Política - 2 semanas ago

Aos Operadores de Telemarketing

Jeff Bezos acrescentou num único dia, em plena pandemia, US$ 13 bilhões ao seu já vultoso patrimônio. Dessa maneira, o dono da Amazon permanece como o maior bilionário existente do planeta.

Obtivemos denúncias de alguns trabalhadores do atendimento em São Paulo relatando as condições desumanas de trabalho, antes e durante a pandemia do COVID-19. Para manter a segurança de nossas fontes, usaremos nomes fictícios, tendo em vista o constante treinamento sobre a “política de privacidade da Amazon” sobre a propagação do nome de ambas as empresas (Amazon e Teleperformance).

Beatriz:

“Pedi as contas e saí de lá. Não aguentava mais o estresse dos clientes e de lá de dentro. Toda vez me viravam de chat pra fone sem avisar, toda vez!”

Ferdinando:

“O ritmo de trabalho lá é alucinado. Ficavam me mudando toda hora de chat para fone, de fone para chat, sem me deixar focar no meu trabalho que seria melhor para a empresa. Moro no extremo oeste, em outra cidade, quase todo dia que podia fazia hora extra e não era reconhecido por isto, por todo o meu esforço. Sempre aumentavam de dois para três emails sem falar nada e, nessa pandemia, a regra é três, às vezes quatro emails. Eu me ofereci várias vezes para trabalhar de home office, mas não quiseram me colocar. Por um erro da própria empresa em me dar falta num dia que fui trabalhar (além de descontar do meu salário que já é pouco), eu não consegui fazer o processo interno. Como eu moro muito longe, colocava uma pausa no sistema pra poder sair no horário; mas diversas vezes me derrubavam da pausa e eu tinha que pegar Uber no terminal de trem pra chegar em casa… E quem disse que a empresa pagava pelo Uber?

Mercedes:

“Eu sofri assédio sexual dentro da empresa e o meu supervisor conversou com o cara na “broderagem” e nada aconteceu. A TP demorou muito pra criar um plano de contingência no início da pandemia, deu uma certa permissão pra quem tivesse grupo de risco em casa ficasse em casa. Mas aí depois disseram que ia abater do banco de horas, fazendo com que muita gente não conseguisse pagar o banco de horas e isso deu desconto de salário.”

Os operadores, em conjunto, fizeram críticas à coordenação que desconhecia a rotina do atendimento e insistia em algo insustentável: os trabalhadores cuidavam tanto do pré e pós venda, quanto dos serviços digitais e suporte técnico para dispositivos.

Normalmente, o ramo de telemarketing costuma ser dividido em setores, onde o suporte técnico é separado do atendimento de “linha de frente” e ganha um salário maior.

O lema da Amazon Brasil “work hard, have fun, make history!” (trabalhe duro, se divirta, faça história!), na realidade se resume apenas ao “work hard”.

O capital da empresa entrou no Brasil não só como uma rede de comércio, mas também com seus bens de consumo e serviços digitais por assinatura. Recentemente a Amazon abriu um centro de distribuição em SP.

O serviço de atendimento da Amazon Brasil era realizado na Colômbia, na Costa Rica e no Brasil, mais precisamente aqui na cidade de São Paulo, no bairro da Lapa, através da gigante do teleatendimento Teleperformance. Estes, países semicoloniais, com mão de obra barata aos olhos da burguesia imperialista.

Desmistificada a ideologia dominante, elucidamos como Jeff Bezos lidera o seleto grupo de bilionários do mundo que só aumentaram suas riquezas durante a pandemia:

com a hora extra não paga, com o desconto irregular do salário, com a dívida de banco de horas.

É preciso acabar com a escravidão assalariada, um passo de cada vez. O passo imediato é atacar em coalizão esse abuso, exigindo melhorias imediatas.

Como?

Os trabalhadores do atendimento devem realizar assembleias, reunir as pautas imediatas de melhora e exigir que tais avanços ocorram. A arma mais efetiva é a GREVE, com demonstrações e protestos.

Tal deve ser o recado dos trabalhadores: se não garantem um bom trabalho, NÃO TRABALHAMOS!

À luta, pois quem trabalha não tem nada a perder, porém, um mundo a ganhar!