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Internacional - Política - 28 de janeiro de 2020

Bolsonaro na Índia: falso nacionalismo da direita e semelhanças entre povos irmãos

Bolsonaro e sua equipe de governo estiveram na Índia nesta segunda-feira (27) para uma reunião com os representantes das grandes burguesias dos dois países. No monopólio de mídia se discutiu a semelhança dos países e os comentários do presidente brasileiro e de seu ministro de Relações Exteriores, que elogiaram o ‘nacionalismo’ do país asiático e as xenofóbicas políticas anti-migração.

A retórica de Ernesto Araújo que evoca um ‘nacionalismo modernizante’ sobre a Índia (na sua fala: “se moderniza, sem abrir mão das tradições e valores”), nada mais é que a velharia do neoliberalismo e do conservadorismo: mantém a servidão econômica aos interesses imperialistas, sem abrir mão, na verdade, das tradições mais atrasadas e prejudiciais ao povo.

A fala de Bolsonaro e seu ministro ressoa a tônica do extremo reacionarismo que vem caracterizando os novos governos ‘populistas de direita’ pelo terceiro mundo: nacionalismo vazio (que não propõe uma agenda soberana de fato) e xenofobia contra os imigrantes, além de glorificar a ação do governo indiano comandado por um partido reacionário, que aplica uma lei anti-imigração que exclui muçulmanos da cidadania, em benefício de outras minorias religiosas.

Apesar do elogio do lunático ministro ao nacionalismo indiano, o que vemos na realidade é justamente o contrário. Além da subserviência ao imperialismo ianque e inglês, recentemente, o imperialismo alemão anuncia que planeja interferir militarmente no país para conter a revolução popular em curso.

Ambos os países possuem índices socioeconômicos semelhantes em termos de crescimento econômico, expectativa de vida e comércio exterior. E imprensa burguesa

A exemplo do Brasil, o país também possui uma concentração de renda – em ambos os países os 10% mais ricos concentram 55% da riqueza – e desigualdade altíssimas, perfil que mostra o tipo de ‘nacionalismo’ que o governo Bolsonaro e seus cães do imperialismo promovem. Além disso, ambos apresentam níveis baixíssimos de jovens matriculados na educação primária, apesar da riqueza crescente dos bilionários, e perseguição sistemática a minorias étnicas e religiosas.

As semelhanças entre as nações, porém, devem ser vistas pelo povo de forma diferente da que o bolsonarismo enxerga. Pro povo, é mais importante saber que os indianos desenvolvem há mais de 50 anos uma revolução contra a burguesia burocrática e contra o capitalismo em seu país.

A Índia é hoje o país onde é levada a cabo uma Guerra Popular Prolongada – teorizada e aplicada pelos aportes de Mao Tsé-tung à teoria marxista. Com todas essas semelhanças com o Brasil, geograficamente e demograficamente (além das contradições sociais e econômicas), é perfeitamente possível concluir que no Brasil existam condições para uma Revolução de Nova Democracia e construção do socialismo rumo a uma sociedade sem classes e opressão.

Fontes: BBC; Jornal A Nova Democracia, marxists.org

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