Home Política Brasil Criminalizaram sua organização, agora a ABIN quer seu documento.
Brasil - Política - 12 de junho de 2020

Criminalizaram sua organização, agora a ABIN quer seu documento.

As classes dominantes estavam morrendo de medo, quando, em Junho de 2013 o povo se levantou em fúria e tivemos as honradas Jornadas de Junho, um ano depois em 2014 indignados com a roubalheira e falta de desenvolvimento no país tivemos uma série de manifestações contra a Copa Da Fifa em nosso país. As classes dominantes temendo outros e outros levantes então correram para tentar solucionar o “problema” que tinham.

Em 16 de março de 2016, a então gerente de turno Dilma Rousseff sanciona a lei 13.260, a famosa lei“Antiterrorismo”,reformulando então o conceito de “organização terrorista” e também o que são “atos terroristas.”

Em resumo essa lei serve para criminalizar as manifestações, e organizações de esquerda, que se atrevam a desafiar à ordem da burguesia. A Presidente, integrante de um autoproclamado partido de esquerda, fez o que gerentes de turno fazem em uma sociedade de classes. Favoreceu o máximo que pôde às classes dominantes.

Mas não foi o bastante e em Agosto de 2016, cinco meses após sancionar tal lei, a gerente de turno é deposta de seu cargo e em seu lugar outro gerente vem, o vampiro Temer.

E como uma de suas tarefas, além de passar as reformas antipovo, era continuar a criminalização da luta e assim tentar de alguma maneira minar o levante do povo contra seus opressores. Em outubro de 2018, Temer assina o decreto 9.527 criando então o Força Tarefa de Inteligência (FTI), sob pretexto de combater o crime organizado no Brasil.

Estamos em 2020 e se passaram 7 anos na linha do tempo desde o inicio desse texto, e desde então o golpe militar contrarrevolucionário em curso está mostrando cada vez mais sua cara, e como cada vez mais as classes dominantes não têm vergonha de expor sua podridão, no dia 6 de junho, a Intercept Brasil divulgou uma reportagem que traz a tona o vazamento da nova manobra de repressão do atual gerente de turno, o fascista Bolsonaro. A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) solicitou ao Serpro dados de todos os brasileiros com Carteira Nacional de Habilitação, incluindo foto, endereço, registros sobre bens, etc.

Segundo a reportagem, vários políticos, funcionários e até advogados especialistas em proteção de dados privados mostraram preocupação. Desde “sinal amarelo” a “claro sinal de autoritarismo” foram os adjetivos usados.

A manobra de espionagem vem logo depois do famigerado vídeo onde o fascista aparece reclamando da sua falta de poder para “receber informações”, usando a ridícula analogia do “pai que fica ouvindo atrás da porta do filho” para descobrir coisas “antes que sejam tarde demais”. Isso significa que, como dissemos aqui na Revista – e seguindo a tese formulada de modo justo pelo Jornal A Nova Democracia – o golpe militar contrarrevolucionário segue seu curso de modo rasteiro, ‘comendo pelas beiradas’.

A princípio, a obtenção de dados das pessoas por um serviço de inteligência pode “não significar nada”. Alguns “democratas” oportunistas e outros iludidos podem dizer que as instituições brasileiras não permitem medidas repressivas a partir disso – não à toa vemos intelectuais “de peso” da Academia como o petista André Singer dizendo, em entrevista à TVT, que não acredita em um golpe em curso.

No entanto, sabemos como agem os fascistas de novo tipo: Marielle foi assassinada por milícias que têm ligação com Bolsonaro. Ou seja, tanto no Brasil, como no resto da América Latina e seus “narco-Estados”, o para-militarismo é mais econômico e mais “efetivo” pra classe dominante e suas frações, para reprimir seus inimigos.

De todo modo, é bom lembrar caso algum democrata de plantão atribua a causa de tudo isso ao “voto errado” em Bolsonaro: esse aumento da repressão do Estado vem se construindo desde o governo Dilma, como expusemos acima.

A medida, dentre outras manobras institucionais, é uma evidência dos planos de Bolsonaro e seus aliados fascistas, além das Forças Armadas, de terem cada vez mais controle do Estado. Bolsonaro pode não conseguir tudo que deseja agora, mas esses mecanismos de repressão ficarão “gravados” no DNA do Estado brasileiro. Ou seja, esses sistemas de espionagem e repressão poderão ser usados pelos próximos governos – caso o lunático fascista não consiga dar um autogolpe e eleições realmente ocorram em 2022 ou que ele simplesmente perca para outro candidato.

No entanto, a Agência de espionagem deveria ser fiscalizada. É o famoso problema: “quem vigia os vigilantes?”. No caso do Brasil uma comissão parlamentar, mas de acordo com a reportagem sua última ação nesse sentido foi em outubro e até alguns deputados se disseram “surpresos” com a informação vazada. Certamente não podemos contar com esses mecanismos institucionais.

Por isso, é necessário que os democratas, marxistas e quadros mais avançados da classe trabalhadora se preparem para um cenário de repressão cada vez mais intenso. Portanto, é preciso enfileirar-se nas organizações populares e se apoiar sempre na força das massas, a única força capaz de barrar qualquer “onda fascista” ou avanço reacionário. Confiar nas instituições, na “democracia” e na sua farsa eleitoral se mostra um dogma a cada dia mais atrasado e falido.

Com o povo ao lado, organizado, nenhum fascismo vencerá. Avante!