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Brasil - Política - 17 de março de 2020

Crise, Coronavírus e a Quarentena (pra quem pode)

FICA EM CASA! EVITE AGLOMERAÇÕES! QUARENTENA!

Eu acho que não existe frase melhor pra abrir um texto, no atual momento, se não essa frase, porquê é essa frase que nós trabalhadores temos que ouvir a todo o momento na Tv, nas redes sociais e por aí vai. Mas o que ninguém realmente diz, porque pensar tenho certeza que todos pensam é:

Como vou ficar em casa se preciso pagar minhas contas? Uma parte da galera do escritório, graças aos avanços tecnológicos, ainda tem a desculpa que não se aplica a todos, que é de trabalhar em casa, mas e as faxineiras? E os trabalhadores do transporte? Os trabalhadores das fabricas?

Porque eles não têm – também – essa opção? Porque aqui no Brasil, periferia do mundo, não podemos nos dar ao “luxo” como na Itália e simplesmente ficar em quarentena?

(https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2020-03/governo-da-italia-decreta-bloqueio-do-pais-para-conter-coronavirus)

Então fica evidente que estar em quarentena é um “privilégio” de classe. Um “privilégio” que deveria ser um direito trabalhista, exigido pela luta legal. Mas nos dias atuais, é um “favor do patrão bonzinho” concedido a pequena-burguesia e uma parcela mínima do proletariado.

Então o objeto a ser tratado nesse texto é o porquê os países imperialistas podem se dar ao “luxo” de parar e nós países de capitalismo-burocrático, não podemos.

Devido sua grande eficiência em se espalhar ao redor do mundo, o Sars-Cov-2 é hoje considerado uma pandemia, e esse termo chega a dar um certo arrepio só de pronunciar, arrepio até que justificado, o vírus que provoca o COVID-19, até o momento tem seu numero perto de 170.000 pessoas infectadas ao redor do mundo.

Já em nosso solo tupiniquim, o vírus foi de 141 casos para 290 num espaço de 1 dia, a maioria dos casos acontecem na capital paulistana, e os números atualizados do Brasil estão em 5.786 casos e 201 mortes confirmadas.
(https://exame.abril.com.br/mundo/mapa-mostra-como-o-brasil-e-o-mundo-respondem-ao-coronavirus/)

É de fato para se preocupar, não é? É, mas com o que deveria ser feito então?

O monopólio da mídia, representando os interesses do imperialismo, diz que o coronavírus é o grande responsável por uma crise econômica sem precedentes. Mas, conforme já apontamos:

“Os problemas do capitalismo não podem ser resolvidos pelo próprio capitalismo, isto porque, apesar do que os economistas burgueses insistem em dizer, o problema econômico atual não é de causa externa (COVID-19 ou guerra comercial da OPEP contra a Rússia).

Dizemos isso, em primeiro lugar, pelo fato do fundamento de qualquer acontecimento ser de natureza interna, antes de externa. ”
https://amigodopovo.com/2020/politica/refutar-a-falacia-de-atrair-investimentos-lutar-contra-bolsonaro/

E isso nos leva ao que está em frente de nossos narizes, nos leva ao fato de que o Imperialismo está a beira de mais uma crise, e já são tantas que está, cada vez mais, difícil arranjar desculpas e razões que não sejam ele mesmo. E nós, como proletários, não temos esse privilégio de classe. Privilégio esse mantido, principalmente, pelo ócio pago que os rendimentos de um parasita capitalista produzem, completamente inimagináveis para quem produz.

Mas assim como nos disse a o Jornal A Nova Democracia, temos o motivo aparente:

“A ocorrência do coronavírus é apenas um fato que agrava a economia. Porém, atrás desse fato já há uma superprodução relativa de capital latente.

A crise de superprodução relativa de capital ocorre quando a produção de capital extrapola em demasia a capacidade de consumo da sociedade definida, em última instância, pela contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista do produto.”
https://anovademocracia.com.br/noticias/13080-economia-mundial-rumo-a-depressao-coronavirus-esconde-a-crise-do-imperialismo

Na atual sociedade onde quem nada faz lucra e quem trabalha nada tem, o COVID-19 aparece mais que na forma de uma pandemia: aparece também como a definitiva derrubada de máscaras, esclarecendo a quem tenha dúvidas, que mesmo viver é um privilégio das classes dominantes.