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Agitação - Brasil - Política - 31 de março de 2020

E as reformas hein? Apoio ou não?

Crise pra cá, COVID-19 também pra cá, impeachment do fascista Bolsonaro pra lá, e uns R$ 600,00 por mês pra gente tentar sobreviver, por um período de tempo, e a pergunta que fica é, isso tá bom?

Poderia responder só sim ou não, mas seria uma resposta incompleta e também desonesta, então vou responder com o bom e velho “ta bom, mas também não tá.”

Estamos em meio a uma crise sanitária mundial, enfrentando a pandemia do COVID-19, mas como se não bastasse, estamos também a numa crise econômica.

É tanta noticia boa que você poderia parar o texto agora e dizer: “É isso não tem mais jeito, acabou, boa sorte”, mas, por favor, não faça isso, vamos analisar as coisas.

Em meio ao descaso e completo abandono que a classe dominante têm para com nós trabalhadores, é assustador, mas também óbvio, que todas as medidas que tomaram nesta essa crise é para que alguns de nós não morramos, afinal, se morrermos quem trabalhará pra eles, né?

Na segunda-feira (30/03/2020) o senado aprovou um auxilio emergencial de R$ 600,00/mês para trabalhadores autônomos, desempregados e microempreendedores de baixa renda. E aí vem a pergunta na cabeça de todo democrata honesto, que está em constante luta para despertar a consciência proletária em todos os possíveis.

“Eu apoio isso ou combato?”

Eu te respondo: OS DOIS!

Você vai apoiar, porque num país onde o índice de desemprego está em 11,3% da população, se não te impressionou o numero eu digo 11,9 milhões de pessoas, as pessoas precisam de qualquer dinheiro que der. Num país onde a taxa de informalidade está em 40,7%, ou seja, 38,3 milhões de pessoas que não tem garantia nenhuma de dinheiro se não tiver o mundo girando, qualquer dinheiro que entrar é vantagem. Num país onde a renda dos 5% mais pobres caiu 39% entre 2014 e 2018 somado a um aumento de 67% de pessoas na situação de extrema pobreza, qualquer dinheiro que entrar é lucro, então você vai apoiar.

Mas trago notícias importantes: a gente precisa combater e criticar essa ação, de maneira dura e constante, com o seu real caráter, de que ela é apenas migalhas pro povo!

Os trabalhadores precisam ter o direito ao pleno emprego, o direito de sobreviver, o direito de ter controle sobre sua própria vida.

Num país onde o salário mínimo é de R$ 1.045,00, receber um auxílio de R$ 600,00 é uma piada, mas onde o salário mínimo necessário é R$ 4.483,20 (Março/2020), receber um auxilio de R$ 600,00 (13,3%) é no mínimo uma ofensa! Nesse país onde a cesta básica mais barata custa R$ 368,69, receber R$ 600,00 é de fato reduzir a gente a um grande gado, que só precisa comer pra viver.

Então sim, é preciso apoiar, apoiar porque nós trabalhadores não somos contra as reformas, assim como o grande professor Stálin nos indica:

Alguns acham que o leninismo é contra as reformas, contra os compromissos e os acordos, em geral. Isso é absolutamente falso. Os bolcheviques sabem melhor do que ninguém que, em certo sentido, “tudo o que cai na rede é peixe”, sabem que, em determinadas circunstâncias, as reformas em geral, os compromissos e os acordos em particular, são necessários e úteis.

(…)

Não se trata, evidentemente, das reformas ou dos compromissos e acordos em si, mas do uso que se faz deles.

Para o reformista, a reforma é tudo; o trabalho revolucionário, ao contrário, serve apenas, por assim dizer, para lançar poeira aos olhos dos outros. Por isso, com a tática reformista, enquanto existir o Poder burguês, uma reforma se converte inevitavelmente em instrumento de reforço deste Poder, em instrumento de desagregação da revolução.

Para o revolucionário, ao invés disso, o essencial é o trabalho revolucionário, não a reforma; para ele, a reforma não passa de produto acessório da revolução. Por isso, com a tática revolucionária, enquanto existir o Poder burguês, uma reforma se converte naturalmente em instrumento de desagregação desse Poder, em instrumento para reforçar a revolução, em ponto de apoio para o desenvolvimento do movimento revolucionário.

O revolucionário aceita a reforma com o fim de utilizá-la como ajuda para combinar o trabalho legal com o ilegal, cora o fim de servir-se dela como cobertura para o reforço do trabalho ilegal, que tem por objeto a preparação revolucionária das massas para a derrubada da burguesia.

Esta é a essência da utilização revolucionária das reformas e dos acordos nas condições existentes no período do imperialismo.

O reformista, ao contrário, aceita as reformas para renunciar a todo trabalho ilegal, para sabotar a preparação das massas para a revolução e repousar à sombra da reforma “concedida”.

Esta é a essência da tática reformista.

Fonte: Marxist

Então fica claro pra gente que o que se deve fazer é entender as reformas e saber como usá-las, saber no que essa ou aquela pode ser boa para a nossa tática, mas diferente dos reformistas, nós não podemos usar a conquista do trabalho legal para abdicar do trabalho que é considerado ilegal para a burguesia reacionária.

Nós trabalhadores temos o nosso horizonte, uma revolução de nova democracia, e trabalharemos duro para chegar lá.

Como disseram meus amigos Marx & Engels:

Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.

Proletários de Todos os Países, Uni-vos!