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Agitação - Brasil - Política - 6 de junho de 2020

Emicida, a gente precisa ir às ruas.

O Golpe Contrarrevolucionário em curso é fato, pelo menos, há dois anos.

Cada dia com mais e mais evidências. Ministros militares em todos os cantos, um presidente “extra-oficial” dos militares (Braga Netto), a continuidade da matança contra o povo negro e uma política genocida em relação à pandemia do Novo Corona Vírus que vivemos.

Onde há repressão, há resistência.

De maneira lúcida, no entanto, o rapper Emicida recentemente apontou que tomar as ruas de uma forma espontânea e meramente defensiva, isto é, sem organização e mobilização consciente, é dar um tiro no pé e favorecer o que Emicida chama de “necropolítica”, quer dizer, o genocídio contra os mais pobres atualmente em curso.

Como marxistas, não poderíamos concordar mais.

No processo revolucionário o proletariado não pode deixar de contar com um Estado-maior: seu Partido de vanguarda.

A vanguarda, hoje, já existe. Todavia, para que forje a si mesma de maneira mais forte e decisiva, deve ter ligação com as revoltas das massas populares.

As massas resistem sempre que são oprimidas. Essa verdade foi expressa ao longo de toda a história, e nesse exato momento também.

Que cabe à vanguarda? Deixar que essa força toda seja jogada no lixo?

Ao contrário, reforçar sua justa função de guia e visão ampla que a teoria revolucionária ensina a ter.

A preocupação de Emicida, além do mais, alcança também a perspectiva de uma deficiência programática — por assim dizer — em torno de tal mobilização.

Mais uma vez, não poderíamos concordar mais.

Só que para formar esse motivo de coalizão, essa pauta concreta e unificante, é necessário tomar parte e cooperar com a experiência de luta do povo.

Retirarmos nossa participação desse processo é o que, precisamente, esvaziará a ação.

Um programa já existe, a Nova Democracia ininterrupta ao socialismo.

Uma vanguarda já existe, os jovens, trabalhadores e camponeses organicamente unidos em torno das ideias corretas e dentro das organizações democráticas.

O que falta?

Dar a vanguarda a chance de cumprir sua razão de ser, dirigindo a ação orgânica para o caminho correto e a rebelião consequente e revolucionária.

Portanto, Emicida erra ao dizer que ir às ruas é contribuir com o genocídio ou apertar o gatilho da arma apontada para as nossas cabeças.

Essa contradição entre ir às ruas e morrer ou ficar em casa seguro apenas existe para um grupo de pessoas que está financeiramente melhor que a grande maioria da população (o que não é nenhum demérito, porém quando não se tem um direcionamento metodológico para análise da realidade acabamos por generalizar nossa especificidade). Na verdade, a grande maioria da população preta e pobre não consegue isolar-se dentro da própria casa e nem pode deixar de comparecer à exploração diária que chamamos de trabalho assalariado.

Com isso, queremos dizer que a merda já está feita. Depende de nós decidir se ficaremos calados correndo riscos com a pandemia e os ataques fascistas do Golpe Preventivo Contrarrevolucionário ou se lutaremos apesar dos riscos.

Por isso é preciso que haja luta, que o povo aprenda a lutar por seus direitos, aprenda qual é sua verdadeira força e entenda o seu papel de agentes criadores da história.

Emicida, obrigado pela preocupação, mas nós precisamos lutar.