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Brasil - Política - 9 de maio de 2020

ENEM pra quem pode

Se começássemos esse artigo falando que a situação, no Brasil, está cada vez mais séria e hoje (07/05/20) os números de casos são mais de 135.000 e as mortes somam mais de 9.000 pessoas, não seria surpresa nenhuma pra você leitor.

Ou se começássemos falando que, de acordo com a Secretaria da Saúde, os 20 bairros mais pobres do Brasil tiveram um aumento de 45% nos casos e, em contrapartida, os mais ricos tiveram um aumento de 36%, não seria nenhuma novidade pra você.

Você, leitor da AMIP, sabe que a desigualdade social brutal em nosso país define quem morre ou quem vive, e com isso, significa que quem tem dinheiro pode comer melhor, ou comer quando outro não pode. Os brasileiros abaixo da linha da extrema pobreza são 10,1 milhões, são 10,1 milhões de pessoas que precisam sobreviver com menos de R$ 200,00/mês.

E mesmo com tudo isso, o [des]Governo quer que tenha ENEM em 2020 sem qualquer esforço em criar uma estrutura adequada!

Como disse o extremo-direitista ministro da Saúde, Abraham Weintraub: “está difícil para todo mundo. O ENEM é uma competição.”

Que competição?

A que demonstra o único valor cultuado do capital: o egoísmo e a tentativa de passar por cima do outro a qualquer custo.
Na verdade, estimulando a granda maioria a uma luta por aquilo que a minoria possui em excesso

Como é natural, a fala do ministro não é por acaso, mas uma consequência direta do atraso material em que o Brasil, há muito, se encontra. O reflexo do atraso citado na mentalidade das elites é o total desinteresse para com os mais necessitados, supondo que é dever destes produzirem lucros aos mais ricos, não importando a situação.

Noutras palavras, embora no papel tenhamos superado a escravidão, somos vistos ainda como escravos.

Isto deixa claro, além do mais, a necessidade de combater as ações genocidas do Velho Estado, bem como o próprio capitalismo burocrático como um todo. Especificamente, para este momento: evitando que milhões de jovens arrisquem a vida, numa situação de absurdo descaso e falta de estrutura, para realizar o ENEM.

A existência deste funil social, chamado vestibular, deve acabar.

Devemos, como parte dessa luta e aproveitando o momento, propagandear no seio da juventude proletária, progressista e democrática, que este absurdo é reflexo dos problemas gerais (econômicos e políticos) de nosso país.

Ora, também é um reflexo de um bando de incapazes na gerência do Velho Estado em servir ao povo, e devem ser removidos pela força!

Precisamos refletir em tudo que foi aqui exposto, assim como que ⅓ da população brasileira não tem acesso a internet, que 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada e que metade da população brasileira não tem acesso a coleta de esgoto, como que estuda em casa?

Então apesar da grande solidariedade da juventude, que prontamente se levanta oferecendo ajuda aos que não conseguem estudar, frente a essa soma quase que infinita de adversidades, não devemos (nem devemos) nos limitar a apenas uma ajuda, que significa diretamente aceitar a decisão absurda do governo.

Devemos somar essa luta contra a execução do ENEM a luta contra o Velho Estado e os desmandos genocidas de Bolsonaro e companhia, devemos também levantar a bandeira do FIM DO VESTIBULAR, apoiando os conscientes que, no mínimo e com justeza, exigem o adiamento.

Isto significa: aumentar a propaganda e agitação contra o Vestibular; atacar e denunciar mais este CRIME do Velho Estado; organizar a ação direta possível contra Bolsonaro e sua corja: destacamentos de ativa desobediência civil e demonstrações.