Home Política Agitação Fura-Greves no #BrequeDosApps
Agitação - Brasil - Política - 24 de julho de 2020

Fura-Greves no #BrequeDosApps

A mobilização dos entregadores de aplicativos, bem como sua luta organizada, é bastante recente. Passará por muitas obstáculos.

Um deles já apareceu: uma sutil mobilização de fura-greves.

Como o nome implica, o termo “fura-greve” é aplicado ao indivíduo ou grupo que, quebrando a solidariedade da greve, rompe com a paralisação. Em outras palavras: uma das várias táticas dos capitalistas contra as menores e mais novas lutas trabalhistas.

Neste caso, a organização de fura-greves que citamos tem um elemento diferencial. Apesar de recente, já conta com patrocínio e até um “programa” .

Quem patrocina os fura-greves contra a justa luta dos entregadores?

Os idealizadores, por enquanto, estão escondidos sob o anonimato virtual. Todavia, deixaram escapar já alguns fundamentos de sua ideologia liberal, chamando em tom de acusação a tendência sindicalista de “politicagem”.

Em primeiro lugar, respondamos a esta acusação brevemente. Nas palavras de Karl Marx:

"(...) o próprio desenvolvimento da indústria moderna contribui por força para inclinar cada vez mais a balança a favor do capitalista contra o operário e que, em consequência disto, a tendência geral da produção capitalista não é para elevar o nível médio normal do salário, mas, ao contrário, para fazê-lo baixar, empurrando o valor do trabalho mais ou menos até seu limite mínimo. Porém, se tal é a tendência das coisas neste sistema, quer isto dizer que a classe operária deva renunciar a defender-se contra os abusos do capital e abandonar seus esforços para aproveitar todas as possibilidades que se lhe ofereçam de melhorar em parte a sua situação? Se o fizesse, ver-se-ia degradada a uma massa informe de homens famintos e arrasados, sem probabilidade de salvação. Creio haver demonstrado que as lutas da classe operária em torno do padrão de salários são episódios inseparáveis de todo o sistema do salariado, que, em 99 por cento dos casos, seus esforços para elevar os salários não são mais que esforços destinados a manter de pé o valor dado do trabalho e que a necessidade de disputar o seu preço com o capitalista é inerente à situação em que o operário se vê colocado e que o obriga a vender-se a si mesmo como uma mercadoria. Se em seus conflitos diários com o capital cedessem covardemente ficariam os operários, por certo, desclassificados para empreender outros movimentos de maior envergadura."

Noutras palavras, a constante precarização e desgraça que o capital impõe ao trabalhador não deve ser motivo de renúncia à luta, mas sim de reforço desta – ainda que efêmera e paliativa por natureza. Isso os trabalhadores sabem desde o século XIX.

 A REBELIÃO É JUSTA!  

Essa é nossa resposta aos fura-greves.

Para além disso, reforçamos que essa rebelião deve ser elevada do plano defensivo e econômico ao político e consciente.

Vejamos novamente o que Marx tem a dizer sobre o justo levante dos trabalhadores:

"[O capital] aglomera num mesmo local uma multidão de pessoas que não se conhecem. A concorrência divide os seus interesses. Mas a manutenção do salário, este interesse comum que têm contra o seu patrão, os reúne num mesmo pensamento de resistência - coalizão. A coalizão, pois, tem sempre um duplo objetivo: fazer cessar entre elas a concorrência, para poder fazer uma concorrência geral ao capitalista. Se o primeiro objetivo da resistência é apenas a manutenção do salário, à medida que os capitalistas, por seu turno, se reúnem em um mesmo pensamento de repressão, as coalizões, inicialmente isoladas, agrupam-se e, em face do capital sempre reunido, a manutenção da associação torna-se para elas mais importante que a manutenção do salário. [...] Nessa luta - verdadeira guerra civil -, reúnem-se e se desenvolvem todos os elementos necessários a uma batalha futura. Uma vez chegada a esse ponto, a associação adquire um caráter político."

No fim das contas, o caráter político conferido à união, em geral, dos trabalhadores é que será fundamento de sua libertação.

Os anônimos ideólogos da burguesia já mencionados almejam, por todas as formas, desmentir as pautas dos entregadores em luta — porque, em última análise, não querem sindicato ou “politicagem”. Isto é, não querem os fundamentos de coalizão que sempre garantiram sucesso nas lutas de trabalhadores.

Mas podem desmentir a realidade?

Desunidos e postos em concorrência, os entregadores enfrentam uma jornada média de 12 horas de trabalho.

Além disso, como é sabido, arcam com todos os custos de equipamentos, constantemente caindo em dívidas.

Esse é o estado ideal de coisas? Essa é a utopia sem união e luta?

É bastante claro que os fura-greves têm patrocínio patronal, material e ideológico.

Os entregadores em luta, para combater estes traidores, devem expor os indivíduos da quinta-coluna, além de reforçar ainda mais a campanha pela solidariedade e união entre trabalhadores. Só isso é garantia de vitória.

Que a batalha do dia 25/07 seja vitoriosa!
Viva a luta dos entregadores!
Viva a fraternidade proletária!