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Mundo - Política - 1 semana ago

[Parte 1] Fascismo Mundial e Guerrilha Nazista Internacional

A extrema reacionarização da sociedade está atingindo níveis globais. Não bastasse a volta dos discursos fascistas levados a cabo por líderes eleitoreiros no mundo todo durante os últimos pleitos, com alguns deles ganhando as disputas, agora a ideologia extremista do ódio racial, misoginia e chauvinismo ganha uma dimensão transnacional.

Tal movimento ainda é incipiente, mas de certo indica uma tendência para os próximos anos. O jornal A Nova Democracia nos editoriais dos últimos anos vêm alertando para a crise econômica mundial que se avizinhava, agora com o novo coronavírus aprofundada. Os Estados aumentaram sua repressão como desculpa para combater a doença, o que se provou pura retórica fascista, pois a doença não foi combatida de fato em quase nenhum lugar do mundo, com raras exceções.

No Equador, parentes têm de abandonar cadáveres nas ruas. Depois da tentativa fracassada de golpe, os Estados Unidos dobram a presença militar na Venezuela e justificam com a patética desculpa de uma ameaça à sua nação através do “tráfico de drogas”. Em países como Índia, palco de uma revolução comunista, e Quênia a polícia e o exército espancam e humilham trabalhadores que são obrigados a saírem de casa para não morrer de fome.

Em Israel, esta “democracia” colonizadora financiada pelos Estados Unidos no médio Oriente, o fascismo aumenta quantitativamente seus métodos: espionagem através da quebra de privacidade de todos cidadãos, fechamento do parlamento e do judiciário, concentrando poderes nas mãos do Executivo, como descreve o Presidente Gonzalo, o fascismo de novo tipo.

Uma calamidade sanitária e uma crise econômica de proporções destruidoras são o cenário perfeito para um renascimento do Fascismo. Com isso, recentemente no monopólio de mídia, especificamente na BBC, ganhou repercussão a investigação jornalística sobre o caso de uma organização neonazista e paramilitar de caráter transnacional liderada por um homem com uma história, no mínimo, curiosa.

O líder de uma organização nazista internacional

O idealizador, chamado Rinaldo Nazzaro, ianque de 47 anos, fundou sua base na Rússia em São Petersburgo. Cresceu como um garoto de uma escola preparatória em Livinsgton, subúrbio do condado de Nova Jersey, dentro das tradições da Igreja Católica. Gostava de esportes e na adolescência aderiu ao estilo grunge, usando cabelos longos e “ouvindo muito Alice in Chains”, descrito pelos amigos como “não agressivo”, um tipo de “cara rock’n’roll chapado”. Em 1999, trabalhou por dois meses na National Defense Concil Foundation (Fundação do Conselho Nacional de Defesa) com operações especiais e de segurança, organização essa que teria “interesse especial em guerras assimétricas”. Segundo testemunhas, o líder nazista, contudo, voltou diferente após serviços prestados no Iraque e Afeganistão.

A mídia sensacionalista, como no caso de Nazzaro, sempre procura causar espanto, descrevendo as características da juventude de um nazista ou criminoso, como sendo uma pessoa afável, causando mistério e angústia sobre o que causou tal ‘transformação’, deixando a impressão de que “pode ocorrer com qualquer um”.

Pouco se fala, no entanto, sobre as condições sociais e ideológicas da sociedade norte-americana, extremamente racista e violenta, que invariavelmente forma indivíduos desajustados, com sérios problemas de sociabilidade, alienados de um contato saudável com outras pessoas — a maioria, atualmente, “conhecendo” o mundo apelas pela internet.

Hoje, ele é supostamente dono de uma companhia de telecomunicações, tecnologia e inteligência e iniciou suas atividades clandestinas em 2018, chamada Omega Solutions:

“uma consultora de segurança[…] especializada em comando, controle e inteligência(…) para segurança doméstica, contraterrorismo e missões de contra-insurgência em qualquer escalão.”

Segundo o próprio, prestou serviços na Rússia e no Afeganistão. Atente para o fato de que ele reside livremente na Rússia e possui uma fotografia na internet com uma camiseta com a face do presidente Putin.

Em um site de armazenamento de vídeos, ele é identificado como “especialista em assuntos militares e ex-oficial da CIA”. Na clandestinidade e nas redes, opera com o nome de Norman Spear e Roman Wolf.

Não a toa esse país europeu é base de inúmeros grupos neonazistas e é um país com histórico de assassinatos contra homossexuais. O fim da União Soviética e a ascensão de ideologias reacionárias e religiosas — a Igreja Ortodoxa Russa possui grande influência no Poder hoje — proporcionou um cenário perfeito para esse país imperialista ser um bastião do reacionarismo mundial, com ares “anti-imperialistas”, para suspiros dos oportunistas “socialistas” aqui neste lado do mundo.

Nazzaro vive na Rússia com a sua esposa e filhos. Segundo reportagem da BBC inglesa, foi localizado através de uma propriedade em São Petersburgo (antiga Leningrado). Seu pseudônimo ‘Norman Spear’ foi rastreado com pesquisas relacionadas a ‘táticas de guerrilha’ e seu nome em uma compra de uma propriedade em Nova Jersey, onde consta registrada no nome de uma companhia chamada ‘Base Global’ – o local é um dos lugares onde o grupo pretende criar um estado étnico.

Até investigações recentes de jornais burgueses como o The Guardian, pouco se sabia sobre o cabeça da organização, tendo em vista que ele não possuía quaisquer traços que facilitasse seu rastreamento — nenhum perfil em mídias sociais ou publicações assinadas, com exceção de compras oficiais. Um registro de localização só foi encontrado, por mérito da reportagem, em um chat do The Base, em uma região longínqua no noroeste do pacífico, onde reafirma aos membros e aspirantes a importância de reuniões presenciais e treinamento militar nos campos.

The Base (‘A Base’)

É nesse contexto que surge uma organização nazista chamada ‘A Base’ — tradução aproximada ao inglês de ‘Al-Qaeda’. Nas palavras de Spear: “uma rede de sobrevivencialismo e auto-defesa”. A semelhança dos nomes não é coincidência, tendo em vista que ambos possuem ideologias reacionárias e agem no mesmo modus operandi. Apesar da retórica de que se consideram uma “resistência sem liderança”, como foi visto, a reportagem do The Guardian conseguiu identificar ao menos uma liderança até o momento.

Os nazistas trabalham com a formação ideológica de jovens europeus e norte-americanos, mas também atuam na África do Sul. Aliciam os jovens por aplicativos criptografados, educando quanto às ideologias raciais e avaliam os mais aptos a fazerem parte da milícia. Membros já foram presos pelo FBI planejando assassinatos e cometendo vandalismo contra sinagogas. Alguns deles foram identificados na Europa, Austrália e África do Sul.

Esse grupo paramilitar acredita em conspirações de uma “Guerra Racial” que provocará “o colapso da civilização” e consideram que estão tanto se prevenindo como acelerando tal fenômeno.

Outro fato curioso é que no site da suposta companhia de que ele foi associado, a Omega Solutions, são descritos como donos e associados pessoas do exército norte-americano e que trabalharam em guerras no Iraque e no Afeganistão, sendo a executiva chefe, Patrícia Willians, uma major do exército ianque reformada.

A companhia trabalha com diversos aspectos da tecnologia, principalmente no que tange à comunicação, análise de dados e segurança. É nessas condições que surge um extremista da pureza racial e que empreende uma luta armada clandestina com uma mãozinha do Estado russo — provavelmente justificado em nome da ‘realpolitik’ – os interesses russos em primeiro lugar, com a ajuda de alguém que possui influência importante na inteligência ianque.

A organização já promove ações num sentido mais elevado de poder político. Um grupo antifa de Oregon denunciou a compra de propriedade no estado de Washington, mais especificamente no condado de Stevens, onde pretendem montar um “hate camp” (“campo do ódio”) que serviria de base de apoio e treinamento para a guerrilha neonazista. Segundo o The Guardian, após contatados as autoridades e um xerife do condado, foi confirmada a compra de um terreno vazio no valor de 33,000 dólares registrado em nome da ‘Base Global’. A localização da companhia não é precisa pois há desencontro de informações — uma em Nova Jersey, outra no condado de Ferry, em Washington. Nessa região, ‘Norman Spear’ divulgou video de um drone onde faz “análise do terreno, uma parte integral de inteligência e preparação do campo de batalha”.

Quando questionado por uma fonte anônima que frequenta o fórum da organização sobre a rentabilidade da propriedade, Nazzaro simplesmente afirmou a baixíssima rentabilidade da terra, mas disse “servir aos seus propósitos”. É provável que ele tenha viajado da Rússia aos EUA, tanto para fazer a compra, quanto para se reunir com os militantes extremistas.

O grupo neonazista é um dos mais recentes formados e compõe uma tendência internacional idealizada em um extinto fórum, chamada Iron March. Nela compunham outras organizações já desbaratadas pelos serviços de inteligência ingleses e ianques, como National Action, o Sonnenkrieg Division e o Atomwaffen Division. Garotos de 15 ou 16 anos foram presos por planejarem atentados terroristas idealizados em fóruns nazistas.

Northwest Front (‘Frente Noroeste’)

Uma das organizações que também operam de modo a comprar terras no pacífico dos EUA é a ‘Frente Noroeste’. Falar desta tem especial importância na sua relação com a ideologia do A Base. Ambas preconizam a criação de um ‘estado étnico’ e possuem propriedades na mesma região da costa do pacífico. Ou seja, a ação migratória está de acordo com as palavras de Harold Covington, o criador da Frente Noroeste, ex-militar do exército ianque. Nazzaro foi apresentado em um podcast de extrema-direita como organizador do Northwest Front.

A Northwest Front (‘Frente Noroeste’) baseia seu seus ‘7 pontos’ na ideologia de David Lane, o neonazista que fundou a The Order, organização neonazista, e morreu na prisão aos 68 anos. No programa, são de suma importância a migração para a ‘terra natal’, a obstinação desta migração e auxílio para os migrantes e a preponderância da raça acima de tudo, a despeito das diferenças religiosas. Rejeitam qualquer noção de ‘modernidade’ ou “degenerações morais” (como jogos de azar ou ‘homossexualismo’) dentro da ‘Comunidade de Consciência Racial’. A atitude do movimento é a de servir como exemplo para seus seguidores e próximas gerações. O Programa da organização abarca todos os aspectos de um novo Estado — educação, “proteção à instituição da família”, defesa, políticas culturais, econômicas e até diplomáticas, além de direitos de cidadania e “direitos raciais”.

Possuem senso coletivista e militarizado, porém baseado no aspecto mais reacionário, como a história já provou — a raça. Usam um discurso vitimista em torno de uma cultura europeia e branca que está supostamente desaparecendo por conta da miscigenação e alegam que não estão propagando discurso de ódio, mas o direito defender “seu povo”. A prática diz o contrário: diversas tentativas de assassinatos motivadas por anticomunismo, racismo ou homofobia estão na conta dos injustiçados defensores da raça branca.