É sempre duro de engolir palavras demagogas de um político parasita comum em qualquer momento. Anteontem à noite, em especial, ouvir tudo aquilo foi como comer caco de vidro com ácido sulfúrico. O discurso do boçal fascista genocida e inimigo da nação foi uma das coisas mais repugnantes que um justo trabalhador poderia escutar em tempos de crise sem fim do capitalismo, agravada pela chegada do COVID-19.

Em primeiro lugar, Bolsonaro, o país não está preparado para enfrentar o coronavírus, nem nunca esteve, uma vez que pessoas morrem na fila do hospital diariamente à espera de um mísero atendimento ou triagem. Inclusive, assim foi o motivo do segundo óbito oficial registrado pelo desgoverno brasileiro, assim será até a situação se e quando normalizar. O próprio ministro da saúde já admite a falência do sistema de saúde brasileiro em Abril — que o Boçal também ignora.

Além disso, se é necessário usar estádios de futebol e centros de treinamento para sustentar o falido SUS (única esperança para a saúde da maioria dos brasileiros) no combate à pandemia, o Brasil não está pronto para absolutamente nada, quiçá a “gripezinha”.

Até mesmo um velho Estado burguês e decadente precisa evitar um infinito número de mortes para garantir a normalidade da produção capitalista; ou seja, se muita gente morrer, de quem será roubado o lucro gerado pelo trabalho? No entanto, o que é irritante é ver o chefe deste Estado contrariar as orientações cientificamente comprovadas por aparentemente pura birra e petulância. Aparentemente, porque há algo por trás disto tudo.

Birra, em especial, para com uma parte da imprensa burguesa, aquela que não deu apoio à campanha do Jair e se veste com uma máscara progressista e solidária às posições de lutadores do povo honestos (em sua maioria) contra as opressões capitalistas a determinados grupos marginalizados. Curiosamente, esta e a outra parte da imprensa esquecem de igual maneira a dura vida das periferias deste país diariamente.

Com efeito, não é nosso dever pender entre Globo e Bolsonaro, entre Dória, Witzel e Bolsonaro, etc. Polarizações como “pânico total” X “tudo é histeria” de nada servem para garantir a saúde e o definitivo bem estar do povo trabalhador brasileiro, que sustenta o privilégio da quarentena dos ricos. Porém, tal polarização serve para enganar a coisa toda com um espetáculo artificial digno de novela ou filme.

De um lado, a grande mídia diz: “fique em casa”, como se isto fosse um direito salvaguardado ou uma escolha sem represálias por parte do patronato explorador (afinal, não temos o porte atlético do presidente que não aguenta meia dúzia de flexões); de outro, panelaços em bairros de classe média dão ritmo para a repulsa ao falso messias e suas pérolas que cairiam muito bem dentro de uma máscara cirurgica (que, por sinal, tampa a vista, não a boca); do último, novos e conhecidos figurões da velha política bancam os verdadeiros humanistas em defesa da vida dos trabalhadores e se põe contra a fala do presidente — agora que o dedinho do pé desses vermes encostam na lama eles tentam se proteger; quando a lama está no nosso joelho ninguém liga.

Tudo isto é um encobrimento do real!

Não temos o direito de ficar em casa sem o risco de demissão ou de ficarmos sem nossos salários; sentimos a crise, a exploração e a opressão muito antes dos apartamentos ressoarem batidas de panelas e buzinas; não devemos aceitar que Dorias, Witzels, Flávio Dinos e afins se vistam com uma pecha de defensores do povo (nem da ala facínora assumidamente de direita, nem da oportunista de ex-querda). Todos nos enganam, com belos sorrisos e discursos, enquanto assassinam e exploram o povo nas grandes cidades e nas terras quase infinitas desse país.

De modo algum este espetáculo é uma discussão sobre ética e responsabilidade governamental. O falso messias está apavorado com a sua iminente derrubada. Ter um palhaço disfarçado nos bons hábitos e com plena seriedade é mais um dos invólucros que uma parte da burguesia (que sempre fica à mercê do domínio externo, do imperialismo) necessita para por fim ao “gabinete do ódio”.

Resta-nos saber quem é que vai derrubá-lo. Enquanto não adotarmos uma linha popular – isto é, retirar as ideias do povo, sintetizá-las, traduzi-las em ação para levar ao povo novamente – mais uma troca de secretários vai acontecer e nada vai mudar.

A real situação do país já é alarmante há muito tempo, em termos econômicos e da saúde pública. A crise é do capitalismo, o que a chegada do coronavírus ocasionou é uma abertura ainda maior da ferida devido ao despreparo para enfrentar a rotineira dengue, por exemplo. E ainda por cima somos obrigados a produzir? Pra quem? Para os vermes que ficam no seu gabinete em Brasília e se tratam num Albert Einstein?

Bolsonaro vai cair, mas Doria, Rodrigo Maia, Hamilton Mourão e asseclas semelhantes devem assumir. O povo deve dar seguimento à sua derrubada. Quem concordar, que se ponha de prontidão para propagandear a imprensa popular, que dê voz aos oprimidos e direcione corretamente a raiva para quem a merece, pois não aguentaremos mais esta vida e as mortes crescerem.

Bolsonaro vai cair, pois parece que ele fez um curso com a família dos Romanov. Será que a sua família vai ter o mesmo destino como em 1917?

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