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Brasil - Política - 8 de julho de 2020

O Desemprego e a Luta dos Trabalhadores

Segundo PNAD Contínua (Junho/2020), o Brasil atingiu um índice inédito: mais da metade (50,5%) dos brasileiros não têm emprego. Isto é algo inédito desde o início das medições. Para termos uma dimensão desse numero assustador, uma pessoa é considerada apta para trabalhar quando tem 14 anos ou mais.​​

​​No capitalismo os fundamentos do desemprego estão dados pela necessidade de ganhos do capitalista e pelo fomento da concorrência entre os trabalhadores.​​

​​O capital cria, para desvalorizar a mão de obra, um exército de reserva de desempregados. Desta maneira, abaixa os preços da força de trabalho por criar um excesso artificial na oferta de emprego.​​

​​Isto é, um número determinado de pessoas sem emprego faz com que os trabalhadores, desesperados por vender a própria força de trabalho, aceitem constantes reduções salariais.​​

​​Além disso, estimular a concorrência entre trabalhadores com e sem emprego tem o mesmo efeito que estimular a concorrência entre vendedores de qualquer outra coisa. Mais uma vez, a diminuição dos preços daquela mercadoria.​​

​​Nos momentos em que o capitalismo mantém sua saúde em dia, existe um número relativamente harmonioso de desempregados e empregados, uma vez que, com a produção acelerada, é indispensável aumentar, também, o consumo.​​

​​Todavia, nas crises, a produção capitalista dá luz ao próprio suicídio, impulsionada pelo consumo e pelo vasto emprego da mão de obra disponível. Como descreve o grande professor do proletariado:

“Com efeito, desde 1825, ano em que se verificou a primeira crise geral, apenas passam 10 anos seguidos sem que todo o mundo industrial e comercial, a produção e o intercâmbio de todos os povos civilizados e seu séquito de países mais ou menos bárbaros, percam o juízo. O comércio paralisa, os mercados ficam superlotados de mercadorias, os produtos paralisam nos armazéns, sem encontrar saída; o dinheiro circulante torna-se invisível, o crédito desaparece, as fábricas fecham, as massas carecem de meios de vida, precisamente por haverem produzido em demasia os meios de vida, e por todos os lados vêm-se falências, insolvências e liquidações. A paralisação dura anos inteiros, as forças produtivas e os produtos desperdiçam-se e destroem-se em massa até que, por fim, à força de tanto depreciar-se, as mercadorias encontram uma saída e a produção e o intercâmbio vão se reanimando pouco a pouco. Paulatinamente, a marcha se acelera, o passo de passeio converte-se em trote, e de trote industrial em galope e, finalmente, numa desenfreada e vertiginosa carreira industrial, comercial, bancária e especulativa, para terminar, depois dos saltos mais arriscados… na fossa de um novo crack!” – F. Engels

Trocando em miúdos: o proletariado que produziu e consumiu uma enormidade de mercadorias é, agora, atacado por sua própria criação.​​

​​A abundância barateia as mercadorias. Os capitalistas, interessados em lucros, cortam mais e mais custos, inclusive àqueles que ocupam os postos de trabalho. Consequentemente, nasce o desemprego em massa característico das crises econômicas.

​​Este é, aliás, exatamente o momento que vivemos no Brasil.​​

​​Apesar da ladainha da imprensa burguesa que culpa o Novo Coronavírus pela situação, a presente crise já era gestada há tempos, coisa facilmente observada levando em conta os últimos ataques contra o proletariado brasileiro. Em suma, as Contrarreformas Anti-povo são medidas para desvalorizar o preço da força de trabalho dos brasileiros.​​

​​Fora isso, podemos elencar também aquilo que o jornal A Nova Democracia apontou ainda em março deste ano (2020):​​

​​Só o coronavírus não poderia causar tamanho impacto na economia mundial. A razão da paralisação da reprodução do capital é o próprio capital. O portal Crítica da Economia, citando jornais da própria reação, observou que o coronavírus é hoje menos letal do que a gripe. “Dados internos da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, neste ano de 2020, a popular gripe da temporada (seasonal flu) já causou muito mais vítimas fatais (76.537 mortes) que o novo coronavírus (2.812 mortes); ou seja, nossa conhecida e familiar gripe de cada dia já matou 2.720% mais pessoas que o misterioso novo coronavírus”.

​​Para conter a própria morte iminente, o agonizante capitalismo burocrático brasileiro empurra as massas populares para a miséria.​​

​​Este é o preço para manter o sistema econômico atual: o pauperismo.​​

​​Entretanto, a última Greve dos Entregadores, a continuidade da mobilização dos camponeses e a resistência da juventude combativa, demonstram que o povo já está sentindo e combatendo essa dor.​​

​​Esta é uma Guerra. Uma Guerra do povo que almeja viver com dignidade contra classes dominantes verdadeiramente genocidas.​​

​​Para vencer, empurrando de vez a burguesia burocrática e os latifundiários para a Colina da Rocha*, devemos educar, agitar e organizar cada vez mais os oprimidos.

​​Pela vitória do emprego pleno e pelo fim da escravidão assalariada!

*Referência à Divina Comédia – Inferno