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Agitação - Brasil - Política - 24 de março de 2020

O Que Deve Ser Feito?

I. Colocação do Problema

No Brasil, por enquanto, ainda não superamos o combate ideológico contra o revisionismo, o oportunismo e o reformismo.

Todavia, mais e mais, o sucesso dessa luta é observável. Novos simpatizantes do marxismo-leninismo-maoismo surgem, observam a justeza do marxismo de nossos tempos, e buscam formas de ligar teoria e prática.

Porém, por conta da natureza da ação de vanguarda dos marxistas-leninistas-maoistas, por vezes, estes simpatizantes acreditam estar isolados, sem a possibilidade de organização sólida e centralizada.

Isto posto, dois caminhos surgem: a inércia ou os métodos artesanais — que embora honestos — destinados à falha.

Assim, urge responder: o que deve ser feito? Como organizar estes simpatizantes entusiastas sem cair nas armadilhas citadas?

II. Exemplos Históricos

Para começar, lembremos do cenário em que Lênin assumiu para si a tarefa de organizar o proletariado na Rússia.

Desarticulação, métodos artesanais para todo lado e o heroísmo dos mais abnegados revolucionários, constantemente, atirado em vão contra os muros do czarismo.

O antídoto a esses problemas, logo, consistia na formação de um periódico nacional, unificando as tarefas de cada círculo Social-Democrata (como então eram chamados os comunistas) da Rússia, bem como garantindo um corpo constante, pequeno e regular de revolucionários profissionais experientes — responsáveis pela formulação de uma acertada linha política geral, além de capacitados para combater a repressão policial.

Essas propostas são bem conhecidas e foram expostas em obras como “Por Onde Começar?” e “Que Fazer?”.

Além disso, são também conhecidas as atuais, justas e combativas imprensas populares.

Contudo, tais constatações não parecem responder o que cada simpatizante pode, imediatamente, começar a fazer.

Quer dizer: a imprensa popular já orienta e formula a linha política, mas, como aplicar a linha politica?

Para responder a este questionamento é necessário ir além do fundamental e examinar a história das formas de organização de vanguarda.

Vejamos o que Stalin conta sobre o assunto:

Nos primeiros tempos, a social-democracia não podia ampliar a própria atividade nas fileiras da massa operária e, por isso, contentava-se com o trabalho nos círculos de agitação e propaganda. As atividades dos círculos eram, então, a única forma de seu trabalho. O objetivo de tais círculos era constituir, entre os próprios operários, um grupo que posteriormente dirigisse o movimento. Por isso, os círculos eram constituídos de operários adiantados: somente os operários selecionados tinham a possibilidade de trabalhar nos círculos.
Fonte: Marxist

Isto é natural, visto que no primeiro momento, aqueles já acostumados com a leitura e a profundidade em discussões irão, organicamente, buscar unidade e um ambiente de troca de ideias.

Tal coisa tem um prazo de validade — tomada isoladamente — bem definido: o ponto onde esse acúmulo de discussões e conhecimentos é transformado em ação concreta nas organizações espontâneas de defesa dos trabalhadores (sindicatos, associações, etc.).

Apesar disso, não deixa de ser uma tarefa essencial que, mais e mais, deve ser sistematizada, disciplinada e tornada atrativa aos membros do proletariado.

Mas não é tudo.

Passando adiante, vejamos alguns comentários de Lênin sobre as tarefas da Social-Democracia de sua época, ainda válidos também:

Organizar círculos de estudo entre os trabalhadores, estabelecer conexões secretas e apropriadas entre eles e o grupo central dos Social-democratas, publicar e distribuir literatura da classe trabalhadora, organizar o recebimento de correspondência de todos os centros do movimento da classe trabalhadora, publicar panfletos agitativos e manifestos e distribui-los e treinar um corpo de agitadores experientes – essas são, em linhas gerais, as manifestações das atividades socialistas da Social-democracia Russa.
Fonte: Marxist

Aqui, em acrescento aos já citados círculos de estudo, vemos a necessidade de estabelecer contatos, publicar e distribuir literatura e treinar agitadores.

A importância destes contatos está em conhecer e buscar solucionar os problemas locais, como ensinou Mao Tsetung.

Já sobre agitadores e publicações de propaganda, devemos atentar para uma breve diferenciação entre agitação e propaganda.

A primeira é curta, sintética e visa por muitos em ação; a segunda é longa, densa e atinge necessariamente apenas uma pequena parcela (num primeiro momento realizada, basicamente, pela imprensa popular e por experientes e didáticos companheiros nos círculos).

Agitadores, portanto, serão aqueles treinados para comícios, panfletagens combativas, discursos inflamados em assembleias, etc.

Até aqui descrevemos, em linha gerais, funções de estudo e distribuição de literatura, omitindo, no entanto, um sujeito oculto: o papel de vanguarda que devem ter os marxistas, papel esse assim sintetizado por Stalin:

O que importa é que os membros do Partido, que integram essas organizações e nas quais exercem incontestável influência, tomem todas as medidas de persuasão, a fim de que as organizações sem partido se aproximem, no seu trabalho, do Partido do proletariado e aceitem de bom grado a sua direção política.
Fonte: Marxist

Ou seja, é necessário que aqueles armados com a teoria correta busquem liderar ou exercer influência sobre as organizações de massa espontâneas, conferindo-as o caráter consciente que a imprensa popular instrui.

Esses exemplos de ação, longe de exclusivos da Rússia, permearam a ação de todo revolucionário do passado.

Mao Tsetung começou no pequeno círculo de Li Dazhao e sua imprensa e, logo depois, foi enviado para propagandear entre os camponeses e interagir com as organizações espontâneas destes; no Brasil, no século XX, os jornais do nosso então Partido Comunista trataram de unificar e dirigir o trabalho dos círculos orgânicos de ação, formar o Partido e entrar no palco da luta de classes e assim por diante. Mencionar e entender estas e outras formas históricas de ação, usando-as como exemplo é, portanto, essencial.

III. Conclusão

Quais lições e instruções imediatas podem os democratas e marxistas brasileiros tirarem dessa exposição histórica?

Em primeiro lugar, que é necessário apoiar e estudar com regularidade a imprensa popular. Esta será a guia doutrinária e, além disso, a solidariedade material fornecida à mídia do povo será essencial para o desenvolvimento cada vez mais amplo em extensão da propaganda, agitação e direcionamento da organização dos marxista.

Em segundo lugar, é preciso organizar círculos de estudos com amigos, colegas e simpatizantes avançados. Dessa maneira, usando também dos meios digitais, atraindo outros elementos do proletariado com uma linguagem cada vez mais adequada, aprofundando o conhecimento teórico de cada membro do círculo, objetivando formar um destacamento de vanguarda.

Em terceiro lugar, tomar parte em toda forma orgânica de associação do proletariado (desde sindicatos até associações de moradores), do campesinato (principalmente pobre) e até da pequena burguesia (no caso brasileiro). Uma vez participando, disputar ativamente a consciência dos participantes para a aplicação da justa linha política, nunca esquecendo, porém, de aplicar o método da linha de massas para não cair em burocratismo ou outros vícios tipicamente contrarrevolucionários.

Em quarto, reunir forças com amigos e colegas para distribuir panfletos, realizar comícios, venda da imprensa popular e literatura marxista, traduzir textos importantes, etc. — sempre divulgando esses feitos para a mídia do povo, demonstrando ação prática e incentivando mais democratas e marxistas pelo exemplo.

Por fim, participar da vida social comum do bairro, trabalho, etc., buscando entender a psicologia das massas, estabelecer ligação com o povo e, principalmente, resolver os problemas locais (desde vaquinhas e aulas de cursinho pré-vestibular, até convocações de protestos, nesse caso, funcionam).

Aprendendo com os melhores do passado, cada um de nós pode avançar na construção daquilo que será a base para a sólida e invencível organização comunista de que precisamos.

Agora, com instruções claras, cabe a cada um de nós atender ao convite à ação do marxismo.

À luta!
Pela Nova Democracia Ininterrupta ao Socialismo!