Primeiramente, é notório que certas situações desenham as coisas de formas mais claras. Se a pandemia causada pelo novo coronavírus por um lado, trouxe mazelas sociais terríveis e agudizou as já existentes, por outro, nos mostrou que o discurso liberal do individualismo e do homem autossuficiente é fraco e têm pés de barro. O homem coletivo é o que tudo constrói.

No Brasil, o governo fantoche dos Estados Unidos segue seu modo de operar fascista e tentar culpar o inimigo externo – com o filho do presidente repetindo o discurso trumpista de ‘vírus chinês’. Mobiliza sua base eleitoral para ofuscar suas contradições internas latentes e propaga mentiras e terrorismo sobre um colapso econômico decorrente da quarentena – medida primordial no combate à doença.

No mundo, os EUA seguem sua política genocida de guerra contra todo um povo. A nação que hoje é uma espécie de ‘Império’ subjuga seus cidadãos enquanto oprime povos de todo mundo, além de manter sua política de fomento à fome e a calamidade: os embargos econômicos. Contudo, apesar de receitar para a periferia do mundo suas receitas liberais, no seu país usa o Estado para salvar a economia e a sociedade de um colapso.

Tal modo perverso que age o imperialismo estadunidense e europeu nos mostra mais claramente o modo como esse indissociável sistema não é capaz de oferecer algo além de guerra a um mundo literalmente doente.

O embargo como arma e crime de guerra

Os cercos econômicos perpetrados pelas potências capitalistas nada mais é que uma arma de destruição em massa contra um povo e um ato de guerra totalno Iraque foram responsáveis pela morte de aproximadamente 1,5 milhões de pessoas. Não distingue, portanto, soldados armados, mulheres, crianças ou idosos – nem doentes.

Países como Bielorrússia, Venezuela, Cuba, Irã e Coréia do Norte, colocados na lista negra do imperialismo ianque e retratados pela mídia ocidental como os mais fechados do mundo, ironicamente são os que mantém os melhores controles sobre a doença.

Na Venezuela a infecção chegou e é um dos países que sofre embargos do imperialismo. Dentro da calamidade mundial, seu povo têm de enfrentar além do terror da pandemia, que em pouco tempo já vitimou milhares de pessoas na rica Europa, também o criminoso cerco que os Estados Unidos impõe ao país, além das constantes sabotagens e tentativas de Golpe de Estado.

O país recebeu ajuda humanitária de seus aliados China e Cuba. A primeira fornecendo suprimentos e a segunda, com profissionais de saúde. 

Cuba, país que desempenha papel de destaque no combate a doença, envia médicos (que na Itália foram recebidos com aplausos) ao mundo todo e dá exemplo de um sistema que, apesar de limitado, não coloca o capital antes da vida. Ainda sim, não há nenhuma suspensão do cerco econômico criminoso que a ilha sofre desde sua libertação oficial do jugo imperialista.

Já no Irã, país do Oriente Médio mais prejudicado pela pandemia, o bloqueio segue inalterado pelo imperialismo norte-americano, que ainda enviou, no dia 20, uma cínica mensagem de seus homens de Estado dizendo que “o coronavírus não os salvarão do embargo”. O país persa é outro país que terá que lidar com o problema como uma ameaça em duas frentes. Uma guerra total, isto é, contra todo um povo.

Nenhum dos governos desses países citados, na visão socialista, são livres de críticas e contradições internas. No entanto, isso só evidencia mais ainda a postura praticamente belicosa da “diplomacia” ianque. Ou seja, com as críticas justas que se possa ter àqueles, o imperialismo (representado hoje pelos EUA e seus aliados da OTAN), estágio máximo e necessário do capitalismo, consegue ser mais nefasto.

A atual crise humanitária, além de evidenciar que a ideologia neoliberal (menos Estado para os pobres e mais para os ricos), vendida como ciência e forçada através de chantagens por meio do FMI, para os países semicoloniais como o Brasil, nunca foi e nunca será em benefício dos povos.

Hoje, o imperialismo escancara seu estado mais degenerado, inepto e cruel. Não pode, pois ruiria, dar o mínimo de dignidade para seus cidadãos (nos Estados Unidos, o número de mortes já ultrapassou China e Itália) e para suas colônias pelo mundo só pode oferecer o jugo e a espada.

Portanto, é fácil entender que enquanto os protocolos anti crimes de guerra do Direito Internacional são fantasias, a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 é usada apenas para justificar invasões e derrubadas de governos mundo afora pelos EUA e países da OTAN. Nunca foi usada em benefício da humanidade; a não ser que se entenda como humanidade, o homem branco, europeu ou americano, cristão e, principalmente, rico.

Não por acaso Marx afirmava que o escravo moderno, isto é, o assalariado, é ainda mais desumanizado que o escravo da antiguidade ou o servo feudal. Ele é deixado à própria sorte para morrer em troca da economia de seus “gastos” para o Estado.

A missão democrática prossegue

Os “valores universais” que o ocidente imperialista representaria certamente ficarão manchados, não apenas por um ato de guerra em meio ao uma crise humanitária de razões naturais, mas como um verdadeiro crime de guerra.

Nem o paraíso do self-made man, nem o do Estado de Bem-estar social, são capazes de devolver em contrapartida todo o valor que os trabalhadores deram para construí-los. Nem mesmo para a preservação do mínimo de dignidade. Ao invés disso, os interesses dos banqueiros e especuladores são colocados em primeiro lugar. Na geopolítica burguesa, não há mercê nem em um momento de pandemia.

Então é notório que esse cenário e essas verdades precisam ser ditas aos quatro cantos do mundo pelos verdadeiros democratas e progressistas que, de fato, se preocupam com a humanidade e seus direitos – que, hoje, são adereços dos discursos vazios da burguesia imperialista.

De todo modo, esse estado de coisas não deve colocar no horizonte apenas a indignação e o medo. A esperança não pode ser depositada unicamente em governos teoricamente anti-imperialistas, mas sim, e principalmente, no agente que realmente muda a história moderna: as grandes massas munidas de sua arma e guia, o marxismo.

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