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Agitação - Brasil - Mundo - Política - 18 de abril de 2020

Os ricos devem pagar pelo Covid-19

O governo do fascista Bolsonaro, após muita pressão, decidiu liberar o auxílio emergencial (idealizado pelo PSOL) que visa ajudar — principalmente — trabalhadores informais e desempregados no meio da atual crise do capital e pandemia do Coronavírus.

É claro, tal “liberação” não vem sem um contraponto ideológico e muitas tentativas de dissimular que o que produziu esse dinheiro, em primeiro lugar, foi o trabalho.

Mas seria este um gasto que os cofres públicos não podem suportar?

É claro que, tratando do Velho Estado, serviçal por excelência das classes dominantes, todos os sacrifícios devem ser feitos por elas, como, por exemplo, o pacote de 1,2 trilhão aos bancos.

De outro lado, os quase 100 bilhões anunciados em ajuda ao povo, são arrancados das mãos sujas do governo com muito esforço.

Não há dúvidas que, para evitar o colapso do próprio sistema (e, principalmente, para evitar uma revolta ainda maior da população que produz a riqueza e não tem acesso à ela), este velho Estado precisa financiar tanto as classes dominantes quanto os trabalhadores. E vejam a diferença de dinheiro e na prontidão deste governo em “auxiliar” a nós e a eles.

No entanto, assumamos por um instante o fatalismo que dita que seja essa a única saída. Que necessariamente não é possível aplicar esse trilhão para o bem da nação, somente dos bancos.

Haveria outra alternativa?

Sem dúvidas.

A fortuna de Joseph Safra, hoje, é de 25 bilhões; o sucessor imediato, José Paulo Lemann acumula quase 23 bilhões.

Mas o que sugerimos? Tomar essas fortunas pelo bem do povo?

Sim, sugerimos isso.
Esta altíssima concentração de todo esse dinheiro, além de impedir mais arrecadação em auxílio ao povo nesse momento, a longo prazo, é também responsável por todas as mazelas derivadas da desigualdade social.

Em outros termos: dinheiro há. E ele pode e deve ser revertido para a população.

Porém, há bens de consumo disponíveis para todos? Todo dinheiro mencionado teria onde ser gasto?

Bem, considerando um aumento geral na produção na safra 2019/2020, podemos dizer que temos o suficiente e um pouco além.

Ao contrário da diminuição da produção, como pode ser propagandeado em meio a uma crise, ela tem crescido e as previsões econômicas para tal demonstram relativa segurança de que esses produtos não faltarão, principalmente no que o Brasil é especializado numa cadeia de trabalho mundial — os grãos.

De acordo com o IBGE, a previsão é de que “a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas aponta um recorde de 243,2 milhões de toneladas, 0,7% acima da safra de 2019, o que representa 1,7 milhão de toneladas a mais.”

Além disso, “analisando-se os cinco produtos de maior importância para a próxima safra, apenas o milho 2ª safra apresentou estimativa de produção menor que em 2019, de 10,4%. Apresentam variação positiva o algodão herbáceo (2,7%), o feijão 1ª safra (3,3%), o arroz (0,9%), o milho 1ª safra (1,8%) e a soja (7,8%). As estimativas das produções de soja e algodão são recordes da série histórica do IBGE.”

Que afirmamos, então?

Que podemos 1) ter o dinheiro que o nosso trabalho gerou e acumulou-se nas mãos dos bilionários, dos bancos e do latifúndio e 2) que não faltará alimento para comprarmos e sobrevivermos em meio a pandemia e a crise do capital se obtivermos esse dinheiro.

Qual a desculpa, portanto, do Governo, para liberar um auxílio mísero de R$600,00 mensais, se toda essa grana está parada nas mãos dos bilionários?

A verdade é que ao mesmo tempo em que nós, trabalhadores, somos a base da sociedade e a carregamos nas costas, não somos valorizados como tal. Não podemos sequer permanecer em casa para evitar a contaminação rápida de muitas pessoas ao mesmo tempo — o que faz com que os leitos de hospitais sejam ocupados rapidamente e não haja espaço para todos, faz com que pessoas morram na fila de espera de uma UTI — durante a pandemia porque temos que trabalhar.

Os patrões, acomodados em suas riquezas e trabalhando de casa, têm muito a perder se batermos de frente em busca de sobreviver da melhor maneira durante essa crise, se nos organizarmos e lutarmos por nosso direito de não morrer nas filas de hospitais lotados.

Nós, ao contrário, temos apenas o que ganhar. Na pior das hipóteses, trabalharemos saindo nas ruas todos os dias, pegando transporte público na maioria das vezes aglomerados, e correremos riscos — o que já ocorre. Numa hipótese de organização e luta por direitos, teremos diminuído o risco de trazer a óbito nossos parentes e entes queridos, aos nossos companheiros, aos nossos colegas de trabalho e a milhares, milhões de pessoas que trafegam pelas ruas porque precisam de dinheiro para pagar as contas.

Aliás, tudo isto é urgente num momento em que os acordos de demissões “voluntárias” por parte das empresas estão crescendo; sendo assim, elas se livram dos “onerosos” custos trabalhistas. Ou seja, mais pessoas ficam desempregadas, empregados serão explorados mais ainda e o dinheiro que antes não existia, agora apareceu, mas não vai sair da conta dos bancos bilionários no futuro.

Se o governo não pegará as fortunas dos ricos para beneficiar quem os sustenta, tomemos a força, de todas as maneiras possíveis, o que é nosso por direito.