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Brasil - Mundo - Política - 5 de maio de 2020

Respiradores Milionários e as Mulas do Desgoverno

Sabemos que os dias andam turbulentos e confusos e que a quantidade de notícias que recebemos é tão alta que fica cada vez mais difícil saber no que prestar atenção. Olhemos um pouco para como lidamos com a situação atual.

No mundo inteiro, até o momento, temos 246 mil mortes reportadas por conta do COVID-19. O que os países estão fazendo para mudar isso? Que esforços estão sendo tomados para que o povo trabalhador não sofra com a pandemia e a grande crise capitalista?

Os Estados Unidos, mês passado, estava sendo acusado de pirataria e desvio de equipamentos. Foram mais de 600 respiradores e 200 mil máscaras “desviadas”, isto é, o governo estadunidense, utilizando como justificativa uma lei de guerra (!), da Guerra da Coreia, em meados de 1950, julgou-se mais importante que os outros países que receberiam esses insumos. Essas máscaras e respiradores tinham por destino a França, Alemanha e Brasil. Sim, o tão lisonjeado [sic], pela corja bolsonarista e o próprio boçal, governo estadunidense reteve produtos vitais para a sobrevivência em meio a pandemia que tinham por destino o Brasil.

Interessante notar também o posicionamento da França, que denuncia essa tomada das máscaras e respiradores que tinham por destino a própria França. No dia 16 de Março, Daniel Macron anuncia que “Estamos em guerra, em uma guerra sanitária” e ele mesmo confisca máscaras destinadas a Espanha e Itália, que saíam da China. Ou seja, no dos outros é refresco.

Uma verdadeira guerra ocorre nas entrelinhas, mas quem está verdadeiramente sofrendo com a briga dos poderosos?

Nós trabalhadores, como sempre.

Mas que anda fazendo nosso amado governo para que nós, trabalhadores, que somos o motor do mundo, sobrevivamos em meio a pandemia? Vejamos.

Bolsonaro, sendo a mula que sempre foi, mantém seu posicionamento de que é uma “gripezinha” e que não será afetado por ela por ter um histórico de atleta e, no âmbito federal, libera cerca de 10 bilhões de reais para controlar a pandemia. A primeira vista, realmente parece uma quantia grande, não? Mas o que fora ofertado aos bancos ainda neste ano, em meio a própria pandemia crescente, é um valor que chega a mais de 100 vezes esse valor liberado, batendo na casa dos 1,2 trilhões de reais.

Num momento de “guerra dos respiradores”, em que a maior oferta ganha o prêmio, é um insulto que para os bancos o governo tenha dinheiro — e muito –, mas para investimentos em saúde “falte verba” por aí.

Em São Paulo, João Dólar, já na sua empreitada de escalar até a presidência da república, “antagoniza” com Bolsonaro em diversas declarações em relação a pandemia e com isso passa a soar mais coerente, mais “republicano”. No dia 29/04/2020 Dória executou uma compra, sem licitação, de R$ 550.000.000,00 em 3.000 unidades de respiradores chineses, cada unidade saiu em torno de R$ 180.000,00 a desculpa?

O prazo!

A população precisa o quanto antes de todos os respiradores possíveis, até aí parece bastante razoável sua motivação, salvar vidas, mas pensando com carinho dias antes dessa compra, a equipe de pesquisadores da USP lança o projeto INSPIRE, um respirador mecânico totalmente nacional, com o custo — em média — 15x menor que o respirador atualmente mais barato do mercado.

Até o momento da elaboração desta matéria, não encontramos nenhuma notícia, anúncio ou sinal de fumaça sobre alguma verba alocada para essa pesquisa, mas encontramos a Vakinha para o projeto, que até o momento tem arrecadado incríveis R$ 8.700,00, frente a compra milionária dos respiradores chineses, o que será que fez o governo estadual tomar essa estratégia?

Ainda mais ridículo é a posição da queridíssima ministra Damares (a mesma do “meninas vestem rosa e meninos vestem azul”) que liberou incríveis mil reais para os povos indígenas contra o coronavírus.

Parece até uma competição de reality show, em que o vencedor é aquele que for mais estúpido.

Que podemos, então, fazer? — pensou Alerj, nesse momento. “Sem verba” para comprar equipamento estrangeiro, lançou a bagatela de 5 milhões de reais para o desenvolvimento de respiradores nacionais na UFJR. Definitivamente um grande incentivo a produção nacional, não?

Em resumo, os bancos recebem 1,2 trilhões de reais, em âmbito federal é liberado 10 bilhões de reais contra o covid, em alguns Estados chegamos a quase 1 bilhão para compra de equipamentos estrangeiros, porém para a produção nacional recebemos migalhas. Produção nacional essa que se mostrou mais eficaz e mais barata do que qualquer equipamento estrangeiro, já que os trabalhadores e estudantes da USP conseguiram criar com excelência ventiladores pulmonares de baixo custo, como dito acima, demonstrando a capacidade verdadeiramente nacional da produção científica e do trabalho, demonstrando que o trabalhador tem muito mais capacidade de fazer algo pela nação do que os vermes que a comandam das cadeiras de couro.

Nem Bolsonaro, nem Dória, nem Witzel, nem qualquer outro magnata político (e muito menos o bando de viúvas da ditadura) teve ou teria capacidade de fazer o que os trabalhadores fazem todos os dias por essa nação, ainda mais num momento de pandemia.

Então vem a pergunta que importa: O que deve ser feito?

Em artigo homônimo, publicado aqui na AMIP, nós indicamos a única saída. O povo deve contar apenas com o povo, apoiar-se em si mesmo. Já estamos carecas de saber que não podemos contar com os políticos, que só nos procuram em época de eleição.

Vamos organizar comitês sanitários em defesa da nossa população, educar quem ainda não entendeu a gravidade da nossa situação, ajudar as pessoas em situação mais grave e de mais necessidade.

Exigir dos governos:
investimento nas pesquisas dos respiradores nacionais;
materiais de proteção individual gratuitos para distribuição nos bairros;
que as indústrias fabriquem o que for preciso para garantir a sobrevivência do povo;
condições reais para que fiquemos em casa seguros e que não morramos de fome;

Nesse momento é preciso servir ao povo.