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Brasil - Política - 8 de maio de 2020

Rodízio em São Paulo prejudicará trabalhadores mais pobres

A demagogia é uma das “virtudes” mais importantes para um gestor do Estado burguês. Não é por acaso que até mesmo burgueses esnobes como João Dória, o atual governador do Estado de São Paulo, se autodenomina “trabalhador” em campanha e posa para fotos com uniformes de gari, simulando um homem ‘viciado em trabalho’ e virtuoso.

Nessa quinta feira, 7, o prefeito da cidade, o tucano privatista Bruno Covas, anuncia por decreto um rodízio que valerá para toda a cidade e limitará o trânsito de veículos com placas de final par em dias pares e com final ímpar em dias ímpares.

Tal medida demagógica, num momento em que os leitos de UTI da capital – principal foco da pandemia no país – atingem quase sua capacidade máxima (80%), é expressa no seguinte jargão/senso comum do prefeito: “situações extremas exigem medidas extremas”.

Certamente, tais medidas “extremas” não valerão àquela parcela mais rica da classe média e à burguesia que possui recursos suficientes para trocar de veículos e não sentir tais efeitos extremados. Quem, sem dúvidas, sentirá na pele, será a parte mais pobre dos trabalhadores, que, em consequência disso, encontrará um transporte público muito mais lotado – cenário propício para alto contágio.

Não é preciso ser especialista para saber que em um transporte público as chances de contágio aumentam exponencialmente mais do que em meios de locomoção privados.

É importante lembrar que em março, a prefeitura diminuiu a frota de ônibus em 40% – o que gerou uma superlotação e obrigou a própria administração à aumentar essa porcentagem.

Outra medida que foi um desastre tentada recentemente pelos tucanos, foi o bloqueio das principais vias da cidade. O que não perdurou, talvez porque afete – apesar da pouca efetividade – todos os cidadãos da mesma forma.

Essa sucessão de desastres é o exemplo da canalhice que se espera de um bom gestor da burguesia paulistana. Dar ares de ‘gestor eficiente’, enquanto não toca na raiz do problema e livra a cara de seus aliados.

A grande verdade é que os burocratas governam para uma classe específica – aqueles ricos que não podem viver sem a escravização assalariada dos pobres. Esses últimos, se deslocam em massa das periferias ao centro (chamado pelos urbanistas de ‘movimento pendular’), onde moram seus patrões e, como assalariados, não podem agir de outro modo.

Um fato pouco comentado pelo monopólio de mídia, é que essa taxa de isolamento é baixa, não somente devido à inconsequência dos indivíduos: em grande parte da periferia de São Paulo, e provavelmente do Brasil, a quarentena não é uma alternativa concreta oferecida ao povo.

Soma-se à esse cenário caótico a ingerência de um Estado que subnotifica as mortes por conta do COVID-19, e teremos uma carnificina, friamente pensada (mas nem tanto calculada), onde a maior parte será composta de trabalhadores. Assim, a capital paulista, se tornará então uma “cidade de respeito”, orgulhando o governador e as classes dominantes dessa locomotiva do capitalismo brasileiro.