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Brasil - Política - 14 de abril de 2020

Tudo vai bem! – Bolsonaro engana povo e prepara nossos caixões

No início do mês de Abril, foi divulgado uma imagem aérea de uma grande quantidade de covas abertas em um cemitério da Zona Leste de São Paulo, onde os casos vêm crescendo exponencialmente – àquela altura já se registrara um aumento de 45% em bairros como Vila Formosa.

O prefeito Bruno Covas negou que foram abertas por causa do COVID-19 e diz que é um procedimento padrão. Entretanto, notícias que confirmassem tal padrão não foram encontradas na grande mídia. Um funcionário relatou que nunca viu situação igual antes. Convém dizer que o tucano já sinalizou no passado desejo de privatizar o serviço funerário.

O presidente brasileiro fantoche dos Estados Unidos, no entanto, acusou a imprensa de ‘terrorismo’ e manteve sua retórica barata, enganando o povo e menosprezando o efeito que a pandemia vai causar, além de defender o interesse dos burgueses em primeiro lugar – “a economia não pode parar!”.

Terrorismo patife

Na verdade, o terrorismo em questão é aterrorizar as pessoas no que há de mais básico da condição humana: a chantagem de que se a “economia parar” vai faltar comida.

Esse é o modo mais antigo das classes dominantes pressionarem as dominadas. Assim faz a burguesia com os trabalhadores hoje no país, tal como faz à nível internacional com seus embargos econômicos contra povos inteiros. A ameaça da fome é o crime mais inescrupuloso.

Claro, a pequena burguesia e a parte mais consciente do proletariado saberá que é uma inverdade e tentará se proteger, mas o que dizer da parte pobre desprovida de informação verdadeira? Bolsonaro venda e envia essas pessoas para a morte. Veja como ele se pronunciou:

Jair Bolsonaro coloca máscara durante entrevista coletiva sobre coronavírus no Palácio do Planalto
Bolsonaro coloca máscara. Fonte: Reuters

“Esse vírus é igual uma chuva, vai molhar 70% de vocês, certo? Isso ninguém contesta. Toda a nação vai ficar livre de pandemia quando 70% (da população) for infectado e conseguir os anticorpos. Ponto final”, afirmou. Ele disse, contudo, que uma “pequena parte da população”, os mais idosos, iriam “ter problema sério”. “Sabemos que vai ter morte, ninguém nega isso.”

O cínico fascista usa aqui uma ideia já fracassada adotada pelos ingleses para lidar com a pandemia, que já voltaram atrás e viram que não é possível solucionar dessa forma. Ainda nos dias que essa matéria sai, ele prossegue essa retórica fajuta.

Nem mesmo é verdade que “faltará comida”. O Brasil têm recursos de sobra – o que faltará serão trabalhadores para os capitalistas explorarem e enriquecerem ainda mais. Todos os países que adotaram o isolamento, mantiveram os serviços básicos, entre eles a produção de alimentos.

É a classe parasitária desse país – banqueiros e latifundiários – que faturam lucros absurdos a despeito das terríveis condições do povo, que deve pagar como tributo os recursos necessários para manter não ‘a economia funcionando’, mas condições mínimas de saúde e integridade do povo.

A marcha fúnebre prossegue

A contagem das mortes já bateu a casa dos 2 milhões em todo mundo (na época em que esse artigo foi iniciado, ainda eram 1 milhão, número que quase dobrou em 12 dias). Nos EUA, país modelo do fantoche que ocupa a cadeira presidencial, já registraram recorde de mortes: mais de 2000 pessoas no dia que se segue – muito provavelmente esses dados estarão desatualizados em breve.

Pode-se estranhar porque Bolsonaro, mesmo com sua impopularidade crescendo cada vez mais, até mesmo na pequena-burguesia, ainda ter relativa popularidade nas redes sociais, principalmente no Twitter.

A verdade é que a maior parte de seus posts nas redes são promovidos por robôs.

Para um presidente que foi eleito com um escândalo de fakenews e que cria um partido com assinaturas de pessoas que já morreram, esse fato só mostra a farsa que é todo presidente “eleito democraticamente” em um país semicolonial, financiado pelo imperialismo. O poder econômico capitalista está acima de qualquer democracia.

O ensaio golpista do exército ocorre nos bastidores

Enquanto Bolsonaro faz seu papel de bobo da corte e déspota, o jogo de forças políticas é tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas. Esses administram a situação para que esta não fique “fora de controle” (rebeliões em uma crise humanitária sem precedentes), enquanto Bolsonaro e sua equipe tentam tocar o projeto neoliberal do imperialismo e vender o sangue do povo aos interesses econômicos da burguesia internacional.

Temer nomeia general Braga Netto interventor na segurança pública ...
Braga Netto. Fonte: EBC

Mas talvez seja uma questão de tempo até Bolsonaro ser descartado desse projeto. Como denuncia o Jornal A Nova Democracia, ao que parece, o General Braga Netto, experiente na intervenção do Rio em 2016, já é, na prática, o novo presidente do Brasil.

A missão democrática e a ‘esquerda’ ausente

Contudo, notemos que neste contexto a gerência dos interesses norte-americanos sobre o Brasil pode ficar mais frágil devido aos seus próprios problemas – o país atinge números maiores que a Itália em crescimento de mortes. É preciso se aproveitar da debilidade da ingerência estrangeira no país em um momento de crise.

No entanto, é tenebroso como parece que a ‘esquerda’ brasileira foi abduzida, tal é o silêncio de seus maiores representantes. Não há projeto, nem mobilização para preparar as massas para o pior cenário. É preciso dizer a macabra verdade: para a maior parte das massas, o isolamento ainda não chegou (e talvez nem chegará).

É momento, então, da camada mais consciente da classe trabalhadora se preparar para organizar e proteger as massas em um cenário onde o governo possa massacrar o povo em nome da ordem (da opressão) e do progresso (dos capitalistas).