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Agitação - Brasil - Política - 20 de novembro de 2020

Uma Vez Mais: Contra a Farsa Eleitoral

I – Colocação do Problema

De dois em dois anos, invariavelmente, os mais “críticos” partidos de “socialistas” e “comunistas” — unindo forças com velhos oponentes ou não — disputam vagas no parlamento burguês e latifundiário.

Aqui, novamente, reforçaremos a necessidade de promover o boicote à farsa eleitoral, respondendo às várias questões postas contra a tática.

II – O Caráter do Estado

O Estado burguês e latifundiário do Brasil, como qualquer outro, não é um Estado isento, com um sistema democrático que paira no ar para ser preenchido pelo melhor e mais honesto candidato. Ao contrário, é uma ferramenta. Ferramenta concebida com o fim de perpetuar o genocídio aos mais pobres, sustentar as classes dominantes pela força e fazer valer os interesses imperialistas sobre o povo.
Tudo isso é demonstrado diariamente, pelas inúmeras agressões jurídicas e econômicas contra as massas trabalhadoras.

No fim, a observação de Marx e Engels sobre os Estados continua válida, isto é, são apenas um comitê de negócios das classes dominantes (Manifesto do Partido Comunista).

Dito isso, fica claro que o velho Estado não tolerará qualquer contrariedade real aos seus propósitos, seja pela aliança com os setores influentes da economia, seja pelo suas mil e uma artimanhas jurídicas convenientes para a repressão e destruição da oposição.

O entendimento do caráter burguês e latifundiário do Estado, bem como seus propósitos, leva (necessariamente) à conclusão que somente sua destruição e substituição por um Novo Poder condiz com as metas verdadeiras dos patriotas, marxistas e democratas do Brasil.

III – O Crescente Boicote Espontâneo

Somado ao caráter do Estado, há o caráter geral de suas instituições. Dessa forma, do mesmo modo que as elites são identificadas quase que instintivamente como agentes de opressão (coisa verificada nas várias lutas multiplicadas pelo país nos últimos tempos), a velha Democracia dessas mesmas elites é vista com desdém.

Os números de abstenções, nulos e brancos, superam até mesmo os candidatos mais votados em grandes cidades (https://anovademocracia.com.br/noticias/14688-editorial-eleicoes-2020-os-estertores-de-um-sistema-politico-putrefato), e a isso cabe a pergunta: qual o significado?

O significado é uma crescente tendência de mudança derradeira do centro de gravidade de ação política. As massas populares, mais e mais, vêm na velha Democracia nada mais que o circo que é, que muda nomes e cores, mas nunca o projeto.

Tal mudança impõe a tarefa de mobilizar e lutar ao lado do povo desde a base, construindo órgãos de poder autênticos, de imediato. Só essa atitude pode garantir continuidade e aprofundamento das várias lutas em curso até a vitória.

IV – Por Que Não Votar E Lutar?

Como é natural, muita gente progressista vê em candidatos reformistas e revisionistas uma centelha sincera de disposição em ajudar o povo, ainda que em limites restritos dados pelo caráter já citado do velho Estado.

Acontece que o descrédito popular pela velha Democracia, refletido no boicote espontâneo, é também um julgamento moral silencioso da população em relação aos políticos: não só não acreditam nas instituições da grande burguesia e dos latifundiários, como percebem que todos inseridos no sistema parlamentar serão obrigados a compactuar com os anseios das classes dominantes.

Dito de forma simples, o povo assimilou pela própria experiência que a política institucional brasileira “suja” os bons, corrompe necessariamente seus anseios honestos e pautas legítimas.

Essa experiência do povo, que testemunhou traidores do PT ao Pecedobê, torna evidente o destino de quem (ainda que cheio das boas intenções) é justa, e demonstra corretamente o caminho de quem — ainda que bem intencionado — assuma uma cadeira parlamentar: ou é deliberadamente imobilizado e não consegue levar adiante o que prometeu, ou passa em definitivo pro campo da reação — nos dois casos, trai a confiança do povo e suja a própria imagem perante a própria base.

Logo, apoiar um Arauto das Boas Intenções por agora é só ser relembrado como cúmplice de um demagogo amanhã.

Problema esse que a luta, agitação e propaganda, no seio da ação popular, ao lado dos explorados, não conhece.

V – Qual Caminho Deve Seguir a Tática do Boicote?

Promover o boicote, isoladamente, não é nada. É preciso elevar e propagar a ideia de que somente a luta construirá o futuro.

Por conseguinte, promover o boicote na agitação deve andar ao lado de promover o aprofundamento das lutas já em curso, assim como a organização de novas. A tática do boicote deve ser, na prática, a tática da agitação pela luta radical e consequente, porque nada virá do velho Estado, sua velha Democracia e suas podres instituições.

Para além disso, cabe reforçar a importância central de mobilizar e organizar, passo a passo, órgãos de autêntica democracia das massas populares, nomeadamente Assembleias Populares. Só nestes espaços é que a luta poderá crescer, cada vez mais organizada e consequente, cada vez mais revolucionária.

VI – Conclusão

O crescente aumento espontâneo do boicote à farsa eleitoral, bem como das lutas populares, coloca diante de todo progressista, marxista e patriota, a tarefa de não atrasar o desenvolvimento da vida social, mas radicalizar e aprofundar.

Aprofundamento esse que não deve temer as chantagens eleitorais, tampouco o moralismo pequeno-burguês e as bravatas reformistas, revisionistas e oportunistas, porém, contrariamente, desenvolvendo sem parar a busca do povo pela única coisa que não é ilusão: o Novo Poder.

A REBELIÃO É JUSTA!
ABAIXO A FARSA ELEITORAL!
POR UMA NOVA DEMOCRACIA!