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Entrevistas - 19 de julho de 2021

[Entrevista] Matheus Machado – Democrata e Preso Político do Velho Estado.

“Até onde vão os limites da legalidade? Em que momento deixam de ser respeitados? É certamente difícil fixar qualquer limite, dado o caráter bastante elástico que assume o conceito de legalidade. Para qualquer governo, toda ação que se manifesta no campo da oposição contra ele supera os limites da legalidade. Contudo, pode-se dizer que a legalidade é determinada pelos interesses da classe que detém o poder em cada sociedade concreta. Na sociedade capitalista, a legalidade é representada pelos interesses da classe burguesa. Quando uma ação busca atingir de algum modo a propriedade privada e os lucros que dela derivam, tal ação se torna imediatamente ilegal.”
– Antonio Gramsci, 1922 – Legalidade

No dia três de junho, o tatuador e democrata, Matheus Machado foi injustamente e arbitrariamente preso nas manifestações populares contra o gerente de turno fascista Jair Bolsonaro.

Após dez dias preso, Matheus foi liberado, porém o Velho Estado brasileiro o está acusando de agressão física a um segurança do metrô e de ter furtado seu capacete, o democrata nega tais acusações, e como disse Gramsci na citação de abertura, até onde vão os limites da legalidade?

Há realmente uma posição diferente sobre o que é legalidade, dada a sua posição de classe, o que surpreende é que o partidéco PCbrasileiro foi a publico denunciar e se posicionar contra as ações diretas dos ativistas nas manifestações, não nos surpreende, mas usaram o caso do Matheus como exemplo para tal posicionamento reacionário.

Hoje entrevistaremos o Matheus e bateremos um papo sobre o ocorrido .

KENNEDY ALVES – AMIP: Matheus, muito obrigado pela oportunidade, Saudações de Nova Democracia meu rapaz. Meu nome é Kennedy e sou editor na Revista AMIP. A AMIP é uma revista que compõe o campo da imprensa popular e democrática que luta pela Nova Democracia no Brasil, tendo como seu maior expoente e guia o Jornal AND.

Antes da gente se aprofundar em perguntas mais objetivas, eu queria pedir pra que você se apresentasse para as pessoas que estão nos lendo. Quem é o Matheus Machado? E qual foi o caminho que você trilhou até esse fatídico episódio da prisão?

MATHEUS MACHADO: Salve camarada, não conhecia a AMIP, muito bacana o projeto de vocês. Conheço o Jornal AND há muito tempo e prezo muito por eles.

O Matheus é um comunista, revolucionário, dedicado na construção de um país melhor pro povo brasileiro há 8 anos. Desde 2013 eu estou envolvido na luta política da esquerda radical, construindo movimentos, organizações e revoltas de todos os espectros possíveis. Minha conduta e postura sempre caminharam, portanto, indissociáveis da revolução que o Brasil tanto necessita. E com essa mesma postura, participei de todas as manifestações em SP contra Bolsonaro que se desenrolaram dos últimos meses pra cá.

Paralelo à isso, também, construindo os bastidores, na organização da revolta e no trabalho de base. Pela minha atuação na manifestação do dia 3, fui detido por um esquema de policiais e P2 que me capturaram próximo à Praça Roosevelt.

KENNEDY ALVES – AMIP: É muito bacana ver que as Jornadas de Junho trouxeram muita gente à luz da luta em prol da revolução social que o Brasil tanto precisa.

Falando um pouco desse episódio do 3J, você acha que essa sua prisão arbitraria e injusta, é também uma forma que o Velho Estado burguês-latifundiário brasileiro está encontrando de tentar criminalizar os protestos e amedrontar os democratas que estão lutando pela mudança radical do atual estado das coisas?

MATHEUS MACHADO: Sim, sem dúvida. A minha prisão em SP não está isolada de outros casos que ocorreram pelo País. A repressão da polícia tomou forma no dia 3, a nível nacional. As detenções estão ocorrendo e só tendem a aumentar conforme a luta nas ruas for se esticando. Nesse sentido, todos os quadros notáveis pra polícia, serão caçados e criminalizados, na tentativa do Estado de encontrarem espantalhos “terroristas”.

O recado que nós devemos dar frente a essa contra ofensiva é simples: não recuar. Assim como eu, qualquer camarada que for detido, terá amplo suporte popular e uma rede de apoio jurídico. Essa é a defesa que temos por enquanto, mas a medida que a luta for avançando, precisaremos encontrar novas formas de defesa.

KENNEDY ALVES – AMIP: Mas ao que parece a audácia, cada vez maior, de nossos verdadeiros democratas, não é bem vista pelos partidos de eleitoreiros de ex-querda e para surpresa de alguns — infelizmente ainda iludidos– nem os partidos que se fantasiam de vermelho revolucionários no nome e reacionários na prática.

Um exemplo claro, é o posicionamento contrarrevolucionário que o PCbrasileiro teve a respeito das ações dos blocos combativos, e nesse oportunismo vil, usou seu caso como exemplo. Houve também um episódio onde o Chavoso da USP denunciou militantes do MTST agredindo militantes que faziam ação direta. E as ultimas denuncias que tivemos foi que militantes da UP, agrediram militantes do Bloco Autônomo.

O que você pensa da posição desses partidos oportunistas como PCbrasileiro, PCdoB, PCR, PSOL, PT e afins?

MATHEUS MACHADO: Esse é o maior obstáculo da revolução no Brasil hoje: guinar pra radicalidade essa esquerda que está posta no atual cenário político. Mesmo com exemplos internacionais como o Chile, a Colômbia, Myanmar, Palestina ou mesmo a revolta do movimento BLM nos EUA em 2020, a esquerda brasileira continua cega ao potencial revolucionário da ação direta.

A esquerda brasileira, iludida com as instituições e os processos democráticos, se agarra no sistema pra combater o próprio sistema. Esse é um real que nos custará muito caro. Se não cairmos na real, enxergando que mudanças só acontecem com a radicalidade e de que essa radicalidade só é possível através da ação direta, tudo vai continuar como está.

O PCB demonstrou no ato do dia 3 em diversos estados do Brasil, que não está preparado para participar dessa revolta popular que começa a tomar forma no Brasil. Sua militância está sob a tutela de dirigentes sem nenhuma experiência de combate, que seguem as ordens pelegas dos dinossauros do Comitê Central. Em São Paulo, os comunistas do PCB foram escoltados pelos guardas do metrô para irem embora.

Fugiram e se acovardaram. Não prestaram as devidas solidariedades ao meu caso (em vista que sou comunista e ex-militante do Partido). Demoraram 3 dias pra publicarem uma nota de solidariedade que sequer tinha meu nome, e ainda por cima continha críticas à minha forma de atuação.

O PCB posa de revolucionário, mas na prática está bem longe disso. No final de todas as contas, os tais revolucionários do PCB estão na mesma linha política de PT, PSOL e toda essa esquerda que aí está. Se quisermos avançar, vamos precisar fazer uma profunda autocrítica, e limpar o nosso meio pra que seja possível trilhar o caminho correto: o da rebelião popular. Os camaradas e aliados de luta que não quiserem seguir esse caminho, o da ação direta e o da rebelião popular, devem ser duramente criticados e expostos. A nossa luta agora é, antes de qualquer outra coisa, uma luta política interna.

KENNEDY ALVES – AMIP: Nós da Revista AMIP, propagandeamos o que temos convicção de ser a linha correta de atuação, para nossa libertação. Ela está dada, começando na Revolução Agrária, ou seja, numa Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo.

Matheus você conhece a situação atual da luta agrária no Brasil?

MATHEUS MACHADO: Estou à par da situação no campo. Bolsonaro está articulando uma nova e grande ofensiva contra a luta agrária no Brasil, sobretudo no estado de Rondônia onde a LCP segue constituindo a vanguarda desse embate. Essa é uma luta centenária, ainda sem solução, travada por camponeses que buscam apenas um pedaço de terra pra poder viver. Ao longo dessa batalha, milhares já perderam suas vidas.

Na minha concepção, essa é uma luta vital para a construção da revolução brasileira, uma vez que é somente no campo que poderemos travar uma luta de igual pra igual contra o inimigo.

KENNEDY ALVES – AMIP: Matheus, muito obrigado pelo seu tempo e por ter concedido essa entrevista para gente. Te convido a conhecer, mais a fundo, a Revista AMIP e também a Associação Democratica Brasileira (ADB) ( https://amigodopovo.com/2021/politica/agitacao/associacao-democratica-brasileira-adb/ ).

MATHEUS MACHADO: ‘Brigadão’ pelo espaço, mano. O papel de vocês é muito massa. Não conhecia a AMIP, mas já amei