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Nova Cultura - Vida em Vermelho - 21 de janeiro de 2021

Marat, O Amigo do Povo, para os Bravos Parisienses

A Revista Amigo do Povo divulga em tradução livre um excerto dos escritos do grande revolucionário francês e jacobino Jean-Paul Marat, criador do jornal parisiense L’Ami du peuple.

Na fase da construção do Estado revolucionário em formação, na salvaguarda do Novo Poder, são necessários sacrifícios e, invariavelmente, o uso da força contra elementos contrarrevolucionários. Em todas as revoluções do mundo moderno ocorreu desta maneira, não seria diferente com nossos irmãos jacobinos, naquele momento da história.

Neste excerto poderemos ver como o obstinado à causa do povo Marat e seus compatriotas jacobinos viam as necessidades reais da manutenção do Poder numa grande Revolução. Tinham consciência da ameaça dos inimigos externos: a união de países europeus criada para destruí-los no futuro, tal como o imperialismo ianque e europeu agiriam. Também com notável firmeza alertam que haverão os que tentarão sabotar a revolução pelo individualismo, ou seja, tratando-se dos inimigos internos (da mesma forma, como agiram revisionistas, oportunistas e agentes do imperialismo, de Rússia à China).

É familiar o apelo às massas para que cedam seu excedente em armamento em defesa da Revolução, se mobilizem e vigiem os inimigos oportunistas. Notaremos as semelhanças com o que passou Staline, nos anos 30, à altura da invasão nazista ou Mao Tsé-tung, nos anos 60, na sabotagem tanto da futuramente revisionista União Soviética e do imperialismo norte-americano.

Apesar dos pais do socialismo científico (Marx e Engels) terem dado a lapidada final na fisionomia da teoria e ação revolucionária do trabalhador, já é possível ver em Marat uma grande perspicácia de um líder verdadeiramente comunista.

MARAT, O AMIGO DO POVO PARA OS BRAVOS PARISIENSES

Os incontáveis bandos de déspotas conspiradores estão avançando contra nós; a Pátria irá em breve cair sob seus ataques; em catorze dias, não existirá mais; nossas próprias vidas serão eliminadas, a não ser que abandonemos de uma vez nosso ódio mútuo, deixemos de lado nossos assuntos discordantes e em silêncio todas nossas paixões pequenas. Deixem-nos finalmente adotar medidas enérgicas para proteger nossas casas do saque, nossas esposas e filhas da brutalidade de soldados selvagens, nossas crianças da vergonhoso jugo da escravidão e nossas vidas das adagas dos assassinos.

Sem dúvidas nossa causa está perdida para sempre se todos amigos da liberdade, todos as Guardas Nacionais, todos os bravos sans-culottes* que estão aptos a pegar em armas, se todos que se recusam, não comparecerem de uma vez nas praças públicas para o serviço contra o inimigo; se todos esses se recusam a fazer parte da campanha, não cederem suas armas para seus irmãos que estão prontos para a luta; se os cavalos disponíveis na Capital não forem todos requisitados para a organização de cavalaria ligeira; se o Ministro da Guerra de uma vez por todas não ocupe e adequadamente fortifique as alturas que dominam Paris; caso ele não envie de uma vez ao fronte especialistas para construírem fortificações que serão fortes o suficiente para segurar o avanço do inimigo.

Em nome da liberdade, do nosso país, da humanidade e do interesse do bem-estar de suas esposas e suas crianças, das gerações não nascidas da raça humana e de vocês mesmos, meus queridos cidadãos, ceda seus ouvidos à voz do seu verdadeiro amigo, uni-vos para salvar o Estado!

Aqueles entre vocês cuja sorte foi favorecida irão tentar segregar, conciliar e permanecer inertes, mas suas tentativas serão infrutíferas. Paris irá ser entregue à pilhagem e suas casas particularmente serão devastadas. Sua preocupação com a preservação de suas posses e suas vidas permitirá que escolham não outro caminho senão o de se unir aos seus irmãos e lutar ao seu lado. De hoje em diante, todo cidadão que está pronto para lutar pelo seu país deve apoiar as despesas da Nação.

Devo eu dizê-los, meus queridos amigos, que vocês podem ser obrigados finalmente a, para salvar o povo, eleger um triunvirato dentre os homens mais inteligentes, justos e destemidos, que serão instruídos em um conselho que consiste nos mais resolutos e imaculados amigos do nosso país?

Não se aterrorize com estas palavras. É apenas pela força que nós chegamos ao ponto de assegurar a vitória da Liberdade e salvaguardar o bem-estar do povo. Como uma garantia para sua boa conduta, será precaução suficiente ter a confiança de uma autoridade nacional autorizada a fazer uso da força apenas para o propósito de destruir os inimigos da Revolução e que não irá oprimir seus companheiros-cidadãos, e terá seu ofício terminado no momento em que o inimigo não puder mais levantar sua cabeça.

Por tantos séculos vocês tem sofrido pelo fato de que governantes inescrupulosos exerceram um domínio arbitrário sobre vocês para destruí-los; vocês irão recusar ceder o seu poder para seus irmãos mais virtuosos para salvá-los? De maneira a manter sob controle os inimigos de dentro, será suficiente mostrá-los suas adagas!

Jean-Paul Marat