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Agitação - Política - 27 de janeiro de 2021

Trabalhadores da Ford, Banco do Brasil e toda gente desempregada do Brasil

São Paulo, 27 de Janeiro de 2021.

Trabalhadores da Ford, Banco do Brasil e toda gente desempregada do Brasil, minhas sinceras saudações.

Falo com vocês, hoje, sobre o recente encerramento das atividades da Ford no Brasil, bem como a imposição de numerosos programas de “demissão voluntária” no Banco do Brasil — junto a isso tudo, sobre o desemprego de maneira geral.

O que está acontecendo?

Uma crise de superprodução relativa. Isto é: por um lado, uma diminuição na renda; de outro, uma produção que cresceu demais e agora precisa ser forçosamente paralisada.

Tudo isso causa, estimula e pressupõe o desemprego em massa. Como se não bastasse, é um fenômeno inerente ao capitalismo (sistema econômico sob o qual vivemos), cíclico e inevitável.

O resultado inevitável desse tipo de coisa é um aumento imediato do pauperismo das massas trabalhadoras, ainda mais com o fim do auxílio emergencial.

Em poucas palavras: é algo que foge de qualquer “solução nas urnas”, uma vez que provocará uma grande (e ainda maior) onda de fome e miséria subsequente.

Se não podemos depender das urnas e da vontade de políticos, o que deve ser feito?

Primeiramente, é necessário pressionar os sindicatos, além dos ministérios e secretarias e dos governos municipais, estaduais e federais.

Mas, é preciso superar a fala passiva, a choradeira paciente. Todo brasileiro merece dignidade e, no interesse do emprego (parte dessa dignidade), é necessária uma pressão verdadeira, uma pressão consequente.

Quer dizer: os trabalhadores demitidos do BB e da Ford não devem só enviar cartas aos sindicatos, e-mails, etc. É preciso ir além: comparecer em massa nas portas desses locais, exigindo da direção uma resposta imediata.

Que resposta? Nacionalização da Ford sob controle dos trabalhadores; imediato controle trabalhador no Banco do Brasil contra toda demissão e sucateamento.

Já aqueles há muito desempregados devem ir em assembleias (municipais e estaduais), prédios de secretarias do trabalho, exigindo com toda a energia o direito de trabalhar.

Outra postura que todo interessado em trabalhar com dignidade deve adotar é a de espalhar essas notícias. Espalhar que tudo só piorará e que o presente governo nada fará por nós, nem os próximos.

Essa postura, junto dum contínuo trabalho de luta e estudo, criará mais e mais condições de resistência, maiores e melhores caminhos para a luta.

Em síntese: urge pressionar sindicatos, órgãos do velho Estado, assim como mobilizar e informar nossos irmãos e irmãs de classe.

Esse é meu primeiro, e humilde, passo pessoal.
Pois escrevo essa carta aberta no interesse não só de convidar todo trabalhador que ler estas linhas pra ação, porém, busco também exigir das direções dos sindicatos ligados a Ford e ao Banco do Brasil uma resposta IMEDIATA.

Ademais, falo também com todo democrata, patriota e marxista que puder cooperar na luta por emprego, apoiando de todas as formas possíveis desempregados de nossa nação.

Isto posto, estão feitas as convocações:

PELA IMEDIATA NACIONALIZAÇÃO DA FORD SOB CONTROLE OPERÁRIO!

PELO CONTROLE OPERÁRIO EM TODAS AS ESTATAIS!

PELO PLENO EMPREGO DO POVO BRASILEIRO!

Essas, e somente essas, são garantias verdadeiras pra nossa vitória contra esse massacre, esse ataque direto a quem trabalha no Brasil.