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Brasil - Política - 3 semanas ago

COVID-19: analisando o balanço da grande mídia sobre os primeiros dias da pandemia

Em curiosa matéria da BBC reproduzida pela Globo são analisados os ‘dias críticos’ da pandemia de COVID no começo do ano passado. A curiosidade fica pela narrativa, que faz terrorismo sobre o papel da China em ‘encobrir’ dados, e tenta, de todas as formas, colocar o país asiático como o grande vilão da pandemia a nível mundial – enquanto encobre o papel de países como Brasil e EUA na formação de um estado de calamidade pública.

Apesar da narrativa sensacionalista sobre a China (que não é mais um país socialista, vale mencionar), onde o vírus causou seu efeito mais devastador foi aqui no Ocidente, principalmente no Brasil e nos EUA – as supostas democracias. O saldo tenebroso de mortes e a atitude fria de Trump e Bolsonaro diante dos fatos, apesar do alerta de inúmeros especialistas sobre a calamidade, é o sintoma de um massacre programado pelo Estado e suas classes dominantes.

A narrativa parcial da mídia burguesa sobre a pandemia

Na reportagem, do começo ao fim são dissecados os momentos em que o governo chinês negou informações ao público e à Organização Mundial de Saúde (OMS). Mesmo que seja verdade, há de se observar alguns fatores:

  1. Antes de Wuhan, já havia mortes suspeitas, bem semelhantes às de covid, quando militares ianques foram à Pequim em 2019, para os jogos militares.
  1. A China rapidamente tomou controle da situação e diminuiu drasticamente os casos de infecção, através do lockdown e dos testes em massa, coisa que não foi feita deste lado do mundo.

Vale ressaltar que o primeiro ponto, apesar de ter sido tratado como ‘teoria da conspiração’ pela grande mídia brasileira, teve sua validade confirmada pela confissão do próprio diretor do Centro de Controle de Doenças dos EUA, em julgamento na justiça (1).


[a cobertura “imparcial” da grande mídia]

Outro ponto curioso é que a demora em reportar para a OMS os dados mais atualizados sobre o vírus é narrada como uma violação do Direito Internacional e um ataque à “comunidade internacional” (em português claro, aos países imperialistas ocidentais). Violação dos direitos humanos e do direito internacional também é – e muito mais grave – manter o embargo e sanções contra países como Irã, Coréia do Norte, Cuba e Venezuela (o “eixo do mal” para os EUA), numa das piores epidemias da história. Enquanto que, esses mesmos desafetos dos EUA, enviaram ajuda humanitária para diversos países, inclusive o Brasil de Bolsonaro.

A ironia que fica é que, apesar da demora dos chineses em divulgar dados para a “comunidade internacional”, esses foram apenas os primeiros dias da pandemia. Muita coisa aconteceu de lá até aqui e EUA e Brasil tinham tempo e condições para um plano emergencial que evitasse a tragédia anunciada. O que aconteceu foi o contrário: até o momento deste texto, 223 mil mortes no Brasil e 439 mil, nos países de Bolsonaro e Trump.

Enquanto na China, um país de 1 bilhão de pessoas, houveram aproximadamente 4 mil mortes. Os gráficos são das estatísticas do Google.

Não é razoável acreditar que o país mais rico do mundo não tem condições para combater a doença da mesma forma que os seus ‘inimigos’ chineses. Só é possível crer que há algo cruel sendo feito de maneira programada por parte do Estado norte-americano.

A “jornalista” presa por “falar a verdade”

Somado à essa narrativa do G1 e da grande mídia burguesa, ganhou repercussão aqui no Brasil, o caso da jornalista chinesa que foi presa por alertar sobre o vírus no começo da pandemia. Na realidade, a tal “jornalista” não era jornalista de fato, era advogada e nada mais que um exemplar do Arthur do Val, vulgo mamaefalei – gritando contra o lockdown e invadindo lugares fechados para chamar atenção da mídia (2). Do mesmo modo, Sarah Winter aqui foi presa em nome da “liberdade”.

Apesar da repressão do Estado chinês a quem “provoca distúrbios”, no Brasil, por muito menos, militantes democráticos são presos, espancados e até mortos.

Conclusão

Hoje, ainda que a República Popular da China nada têm a ver com a nação revolucionária de Mao Tsé-tung, a cobertura da grande mídia no Brasil e no Ocidente está muito aquém deste debate: é totalmente parcial, colocando o país asiático como grande vilão, enquanto esconde sua própria conivência com a desinformação. Ou seja, essa mesma mídia no seu conjunto foi cúmplice das mentiras propagadas quanto ao “vírus chinês”, colocando uma cortina de fumaça sobre a responsabilidade dos EUA.

Por fim, ao concluir a matéria da BBC, o G1 destaca a fala de um virologista de Singapura de que “a China poderia ter feito muito mais”. O que poderiam, então, terem feito os países “civilizados” como EUA, Brasil e da União Europeia, para evitar a carnificina de janeiro do ano passado até os dias de hoje?

(1) Link do vídeo (em inglês) do diretor do Centro de Controle de Doenças dos EUA confessando que algumas mortes divulgadas como de influenza (no começo da pandemia) foram, na verdade, por COVID-19: https://www.youtube.com/watch?v=Y_dU2RCqWs4

(2)  Notícia sobre jornalista presa na China é uma farsa – Rede Brasil Atual – https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2020/12/noticia-reuters-sobre-jornalista-presa-na-china-e-uma-farsa/