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Brasil - Política - 5 de fevereiro de 2021

Uma Receita para o Impeachment

Os representantes da imprensa burguesa, buscando mimetizar ares democráticos, debatem incansavelmente sobre a “fórmula do impeachment”.

O consenso, que aparece como uma receita genérica e abstrata, diz: crise econômica, insatisfação do congresso e do povo.

Como somos marxistas, daremos aqui a resposta para estes bastiões da democracia: basta irritar as classes dominantes.

Que é o Estado?

Um comitê de negócios comuns às classes dominantes e, para além disso, um órgão de exercício real do poder político dessas classes.

Por conseguinte, se seu cabeça não cumpre bem essas funções, é afastado.

Coincide essa má gestão, em geral, com problemas ao capital, aumento de revoltas sociais e (consequentemente) insatisfação parlamentar (visto que o próprio parlamento é mais um instrumento das classes dominantes, logo, representando os interesses das mesmas, acaba por expressar em prática política a insatisfação das elites).

Dito isso, a pergunta cabível para a execução de um impeachment é: Bolsonaro irrita as classes dominantes?

Saiamos das abstrações e jogos de palavras, avaliemos a realidade.

Durante o governo de Jair Messias, dos generais do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) e da gestão econômica do ignóbil Paulo Guedes, o desemprego atingiu recordes nunca antes registrados:

Em paralelo, os bancos lucraram em níveis recordes e o latifúndio avança sobre a luta da terra, chegando a reprimir advogados de camponeses pobres por piadas em aplicativos de mensagens como nessa noticia reproduzida pela AMIP:

Sejamos claros: a grande burguesia e os latifundiários brasileiros não poderiam estar mais contentes!

Mas as coisas vão além.

Bolsonaro não está sozinho. É um produto da tutela consciente, deliberada e bem organizada do ACFA, que busca abortar as rebeliões populares que vêm sendo germinadas desde 2013.

Isto é, além do elemento econômico satisfatório para as classes dominantes, há também o elemento político — o incremento da repressão condiz com os anseios repressivos do Estado de forma geral, bem como seus donos.

Quer dizer, Bolsonaro não cairá por regras em abstrato, mas por irritar as classes dominantes.

Como isto não está acontecendo, os bastiões democráticos da imprensa burguesa podem chorar em posição fetal enquanto desejam um Dória ou Alckmin, i.e., um fascista higienizado.

O que surpreende, entretanto, é que tais coisas não deviam ser novidade para os autoproclamados marxistas que — organizados sob o oportunismo e reformismo — clamam pelo impeachment, ou, dito de forma simples, perdem tempo.

Qual a solução justa se o impeachment não virá “organicamente”? Aceitar essa condição?

Nada poderia ser mais falso.

É necessário que todo democrata, patriota e marxista verdadeiro, erga bem alto a bandeira da revolução de nova democracia e da derrubada de todo o velho Estado.

É necessário superar o limite estreito daquilo que o horizonte da legalidade burguesa apresenta e propor, além de construir, um Novo Poder.

De imediato, para que isso seja possível, urge uma agitação incansável pela rebelião, assegurando direitos, exigindo as conquistas retiradas e aprofundando ainda mais a luta.

Numa palavra: é preciso radicalizar as massas populares, não pelo impeachment, porém, pela Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo.

Só assim quem serve e ama o povo brasileiro poderá cumprir suas tarefas de cooperar na emancipação das massas populares — que não será obra de uma concessão do direito burguês, mas das próprias massas populares.

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